Estou Cansado

Chego ao cima da montanha. Estou ofegante. Há muito tempo que não fazia uma caminhada destas. Dobro-me e suporto-me com as mãos nos joelhos. Fico de cócoras. Tento recuperar a respiração.
Primeiro descubro o silêncio. Faz-me confusão nos ouvidos esta ausência de barulho. Depois percebo a pieira da minha respiração cansada. Uma respiração forçada. O tempo não foi complacente com a minha bronquite. Os médicos diziam aos meus pais que ela desapareceria com a idade. Não desapareceu. A idade foi passando e a bronquite continua por cá.
Levanto o corpo. Já me sinto melhor. Com a respiração mais normalizada. Viro-me para trás e tento ver a minha casa na lonjura do vale. Mas não consigo. A minha vista está cansada. Tão cansada quanto eu. Tudo o que vejo é uma enorme massa desfocada. Percebo uma estrada. Uma fábrica. Uns postes de alta-tensão. Uns tufos de verde. Imagino o mar lá ao longe. Não mais que isso.
Agora já me chegam sons. Sons distantes. Sons que voam lá de baixo cá para cima. Ouço um cão a ladrar. Ainda tento perceber se é o ladrar do cão lá de casa. Mas não consigo perceber. Ouço uma motorizada. Há sempre uma motorizada a esgalhar o motor até à exaustão e que se propaga através do espaço. Não vejo a motorizada na estrada, mas ouço-a. Começo a pensar que o som é mais importante que a imagem. Que quando ficar cegueta, ainda me restará a capacidade de ouvir. Talvez descubra no sentido para captar o som, uma espécie de radar. Como o que tem o Demolidor.
Acendo um cigarro e fico ali em cima, de pé, a olhar o vale aos meus pés, com a respiração normalizada, a fumar e a pensar no que é que vou fazer. Não me apetece fazer nada. Agora gostava de estar sentado no alpendre a ler o Serotonina do Houellebecq antes que o mundo acabe.
Depois percebo que tenho de fazer o caminho todo de regresso. A pé. E pergunto-me porque é que não pensei nisso antes. Antes de vir. Antes de vir a pé. Não tarda é noite. Ainda vou estar a descer a montanha quando começar a escurecer.
Sento-me numa rocha. Continuo a fumar o cigarro. E penso que tudo se irá resolver. Tudo se resolve. É preciso é não entrar em pânico.
Deito fora o cigarro e acendo outro. Acho que estou nervoso. Penso que devia ter trazido uma garrafa de vinho tinto. Alentejano, de preferência. Mas olho para o interior da mochila e vejo que só tenho uma garrafa de meio-litro de água e que já está quase vazia. Vejo as horas no telemóvel e percebo que está a ficar sem bateria.
Sorrio, sentado na rocha, e digo alto para mim Estou fodido.

[escrito directamente no facebook em 2020/07/12]

O Dia Seguinte

Cada vez se torna mais difícil sobreviver ao dia seguinte.
O dia em que o mundo quer morrer.
O dia da ressaca.
O dia que passo debruçado na retrete a deitar fora o que o fígado já não quer tratar.
Cada vez se torna mais insuportável descobrir-me velho, velho e fraco. São os cabelos que acordam comigo na almofada, a minha única companheira de cama. São as peles que respondem à gravidade e tombam por mim abaixo. São os papos nos olhos. Os dentes que caem. Os pêlos que crescem nas narinas. As unhas que encravam. Os lábios finos, ridículos. As manchas no corpo. O cheiro, o cheiro a velho, o cheiro a velho e a morte.
Ontem dancei até de madrugada. Beijei perfumes. Bebi vinho tinto alentejano. Shots de vodca. Linhas de velocidade.
Ainda sei o que era um B52.
Um broche.
Uma chinesa.
E hoje?
Hoje é o dia seguinte.
O dia em que juro e prometo.
O dia em que me vendo em troca de um pouco de juventude.
Já não vou à igreja.
Nem a casa dos pais.
Já não frequento os amigos.
E perdi a família.
O que me resta é o resto. O que fica.
O que ninguém quis. Ninguém quer.
Ontem dancei até de madrugada com os fones nos ouvidos. Ninguém quer mais ouvir Cabaret Voltaire e Ultravox.
Ontem dancei até de madrugada e depois fui comer pão quente com manteiga Milhafre.
Bebi um chocolate quente.
Depois entrei no carrossel de Maio de onde ainda não saí.
E já não tenho mais nada para deitar fora.
Só se me deitar a mim.

[escrito directamente no facebook em 2020/05/27]

No Início de um Novo Normal

O tipo foi para lá de madrugada. Estava ansioso. Farto de estar em casa com a mulher e os filhos, enfiado num T2 num bairro residencial onde só havia casas como a dele, gente como ele, famílias como aquela com quem estava confinado. Queria sair. Ver outras pessoas. Falar com outras pessoas. Trabalhar. Gostava do que fazia e fazia-o com gosto. Há gente que nunca encontra prazer nas coisas que faz, durante toda uma vida, e faz porque precisa de comer e pagar contas. Ele fazia precisamente o que gostava. Mas dois meses depois, dois meses fechado em casa sem poder exercer o seu trabalho, era demais. Estava a começar a dar em doido. A falar torto com a mulher. A ignorar os filhos, precisamente quando eles começavam a dar mostras de mais precisarem dele e do seu carinho.
Então, hoje de madrugada, levantou-se em silêncio. Tomou banho. Mexeu uns ovos. Fez umas torradas. Café fresco. Tomou o pequeno-almoço na cozinha a olhar pela janela a cidade ainda nocturna. Deu um beijo na mulher. Nos filhos. Deixou-os a dormir. Pegou no carro e foi até ao restaurante.
Antes de lhe meter a chave, olhou a porta de madeira forte, a montra com as cortinas corridas, o letreiro de néon que tem estado ligado todas as noites mesmo com o restaurante fechado, inspirou fundo e benzeu-se. Meteu a chave, abriu a porta e entrou.
Teve a sensação de estar a entrar num sítio desconhecido. Um sítio novo. Um sítio vazio. Cheio de vibrações, boas vibrações claro, mas vazio.
Viu as horas. Ainda era cedo. Muito cedo.
Colocou o Fairytales of Slavery dos Miranda Sex Garden nas colunas do restaurante, mais alto do que o que costuma estar com clientes e foi olhando para o trabalho que andaram, ele e os seu empregados, a finalizar na última semana. Dava um toque na perna de uma mesa. Alinhava as cadeiras que estavam mais que alinhadas. Verificou o stock de máscaras, de luvas, de viseiras, de calçadeiras para os sapatos, de álcool-gel, de desinfectante para as mesas, cadeiras, maçanetas, chão da sala, da casa-de-banho, do interior do balcão. Mediu o espaço entre as mesas e voltou a medir. Organizou, de novo, todas as garrafas de bebidas na parede atrás do balcão com o rótulo virado para a frente.
Foi buscar o cinzeiro de pé-alto e foi colocá-lo na rua, ao lado da porta de entrada. Depois pensou melhor, era ainda muito cedo, e voltou a colocar o cinzeiro de pé-alto no interior do restaurante.
Olhou em volta a perscrutar o espaço enquanto batia com a mão na perna ao som da música. Estava ansioso, mas contente.
Viu as horas. Já eram horas suficientes. Pegou no telemóvel e fez uma chamada. Sim, os frescos já vinham a caminho. Descansou.
Foi a um móvel e pegou numa pilha de folhas de papel. Eram as ementas. Uma despesa enorme fazer as ementas descartáveis. Todas iguais. Depois os pratos do dia escrito no pequeno quadro de xisto em cima do balcão.
A porta da rua abriu-se e entrou alguém. O primeiro empregado a chegar. Antes da hora. Também ele ansioso. Também ele desejoso de trabalhar. Cumprimentaram-se com um aceno de cabeça e grunhidos que ambos entenderam. O empregado fez-lhe sinal para a cara. Ele percebeu. Foi pôr uma viseira. A música continuava a tocar. Os outros empregados começaram a chegar. Os frescos também. Toda a gente começou a fazer o que tinha de fazer. Na cozinha, havia quase um ambiente de festa, mesmo se havia um cuidado, por vezes excessivo, em não se tocarem. Todos estavam contentes com terem voltado ao restaurante. Havia até quem dançasse nas suas voltas pela sala e pela cozinha enquanto se afinava tudo ao pormenor para o primeiro cliente.
E, então, eu entrei.
Fui o primeiro cliente do dia. E já eram catorze horas.
Até aquele momento, ainda não tinha lá entrado ninguém. Eu só soube isso depois.
Naquele momento, entrei. Fui à casa-de-banho lavar e desinfectar as mãos. Indicaram-me uma mesa. Uma mesa minimal num espaço deserto. Não havia mais ninguém a comer. Pedi um dos pratos do dia e vi a azáfama a tomar conta de toda a gente. Toda a gente precisava de se sentir a contribuir para o dia, para o primeiro dia, para o início de um normal que havia de ser outro mas que se iria tornar norma.
Enquanto esperava pelo prato do dia, que não haveria de demorar, bebi um copo de vinho tinto de uma garrafa das pequenas do vinho alentejano da casa, e o dono do restaurante sentou-se numa mesa perto da minha, mas distante, e começou a desabafar.
Eu vim para aqui, hoje, ainda de madrugada, sabe? Precisava disto. Os clientes é que parece que não. Devem estar com medo, percebe?
Tenho andado ansioso com este dia depois de tanto tempo fechado em casa com a mulher e os filhos. Filhos pequenos, percebe? Num T2, está a ver?
E eu acenava a cabeça. Percebi que ele precisava de falar. Eu não me importava de ouvir.

[escrito directamente no facebook em 2020/05/18]

Bronquite

Tenho tido bronquite durante toda a minha vida. Acho que já devo ter nascido assim, com ela. Não sei se tal é possível. Talvez seja. A primeira vez que a História me documenta um ataque de bronquite eu teria duas semanas de vida e tive de ir para Coimbra, de ambulância, fazer qualquer coisa que não podia ser feita aqui, em Leiria. Quem fez o registo para os anais, foi a minha mãe, que me dava colo, mama, me mudava a fralda e foi comigo para Coimbra, a lutar para que não morresse o filho que tinha acabado de parir há não muito tempo.
Sobrevivi. E é o que tenho feito toda a vida.
Passei a minha infância a sentir os pulmões fecharem-se à entrada de ar. Mas caguei neles. Sempre que possível. Não me deixei domar pela tristeza de uma maleita incapacitante. Joguei à bola debaixo de chuva com os outros miúdos. Fartei-me de correr e transpirar, a fugir do dono do pomar onde íamos, eu e os outros, roubar laranjas e nêsperas e maçãs, fruta que nos garantia roubo ao longo do ano, e depois íamos comê-las assim, sujas, à dentada, ofegantes, esfomeados, mas contentes com o fruto de um trabalho doido.
Às vezes, quando sentia muita falta de ar, parecia que estava a entrar num outro universo. A visão afunilava. A audição refinava, talvez para escutar acima, ou abaixo, daquela pieira maldita. Os olhos para o chão. O corpo mirrava e eu parecia fugir do mundo, deste mundo.
Às vezes tinha de dobrar o corpo, pernas direitas, cabeça para baixo, mãos presas na cintura, na presilha das calças, para tentar recuperar o ritmo certo da respiração. Inspirar. Expirar. Inspirar. Expirar. Como se estivesse a aprender. Outra vez. De novo. Tudo de novo.
Fugir de gatos. Fugir de pássaros. Fugir dos ácaros. Fugir do pó da casa. E a minha mãe a arrancar a alcatifa bordeaux, muito anos setenta, que forrava a casa e acumulava horas, dias, semanas, meses de bronquite.
Aquilo não era bem uma doença. Não me doía nada. Não dava nada jeito ficar na cama. Não podia faltar às aulas, Para ficar a fazer o quê?, não me perguntava na altura porque não era preciso, estava subentendido, mas pergunto agora porque fica melhor neste texto onde tento perceber se, ao não ser bem uma doença, é o quê? uma frivolidade? ficar sem ar, sem conseguir respirar, uma paneleirice, com certeza.
Depois apareceu o Ventilan. Acabavam-se as mezinhas que a minha mãe fazia. As papas quentes no peito. O iodo da praia. As vacas. As termas. Os banhos de água fria. De água quente. Os jactos de mangueira. Os vapores. Os vapores caseiros de folhas de eucalipto numa panela com água a ferver.
Matei um problema e criei outro.
O stress de esquecer a bomba. A ansiedade de não ter o Ventilan comigo. Mesmo quando estava bem. Quando respirava como as pessoas normais respiram. E como respiram as pessoas normais? Eu nunca fui uma pessoa normal. Não sei como é que respiram as pessoas normais. Não sei como é nunca ter medo de não conseguir respirar. Saía de casa com o Ventilan no bolso das calças como se fosse uma pila gigantesca, que se alongava braguilha fora. Se não o levasse…
Isto tudo depois de me terem garantido a mim, ao meu pai, à minha mãe, às minhas duas avós, ao cão e ao gato que tive de certeza, que sempre os houve nas casas dos meus pais mesmo que eu não me lembre, que com a idade iria passar. A adolescência iria matar a bronquite. Poderia ser jogador de futebol e ser o Cristiano Ronaldo antes do Cristiano Ronaldo ser o que é porque esta minha incapacidade respiratória morreria antes de eu poder ser um herói do futebol e, no entanto, tanta ciência, tanta tecnologia, conhecimento, liberalismo, progresso, idas à Lua e a Marte, e um sonho que não tive morreu porque, afinal, nada do previsto aconteceu. Claro que joguei à bola. Com a Malta da Rua, na Escola, a fugir ao meu pai que não queria que eu jogasse à bola à chuva, e depois tinha de fugir, outra vez, para escapar à mão pesada que, invariavelmente, iria bater, violenta e dura, no meu rabo.
Não passou, a bronquite. Os anos não mataram a minha bronquite. Mas eu fodi-a. Fumei todos os anos ao longo dos anos. A bronquite não levaria a melhor. E nunca levou. Um cigarro nos dedos, na boca, um cigarro aceso entre os dedos da mão em conversas, nos bares, nas ruas, em casa, na cama, no sofá, na banheira de óculos escuros a ler O Jardim de Cimento de Ian McEwan, na companhia do vinho, da cerveja, do gin, do vodka, do whiskey. Sozinho, tantas vezes sozinho, à janela, à varanda, à entrada do prédio, debaixo do beiral, encostado a uma montra, dentro do carro, em cima da bicicleta, depois de comer, depois de foder, depois de correr e de uma partida de futebol no campo de terra batida do colégio das freiras para onde íamos jogar depois de subir e saltar as grades que eram suposto manter-nos do lado de fora. Fumar. Fumar desde os quinze anos. Diariamente. Não me matas, bronquite. Matar-me-ei eu primeiro.
Mudei várias vezes de medicação tentando acabar com o Ventilan. Tomei medicamentos cujos nomes fui perdendo com o tempo. Uns duraram pouco. Outros duraram um pouco mais. Mas quase todos se revelavam frágeis ao fim de algum tempo em convivência comigo. Sim, eu não sou fácil. Para uns sou uma aventura, para outros um tédio, para a maior parte uma chatice que se quer esquecer.
Agora estacionei no Xoterna. Tem um nome merdoso mas é o medicamento que mais resultado parece ter sobre esta minha incapacidade de respirar como as pessoas normais. Mas o Ventilan anda sempre por cá. Escondido. Já não anda no bolso das calças porque já não preciso dele com urgência. Já não stresso à sua ausência. Mas é sempre bom saber que ele existe. E está na mesa-de-cabeceira. No porta-luvas. Na mochila. E o mais tranquilizador é saber que o posso comprar em qualquer farmácia pela módica quantia de dois euros e tal. O Xoterna, sem receita, custa cinquenta euros. Ter bronquite é uma cena de ricos.
A Primavera é terrível por causa dos pólenes. O Outono é terrível por causa da queda das folhas e dos pós que levanta. O Verão é terrível por causa do excesso de calor. O Inverno é terrível por causa da humidade e do frio. Tudo é terrível e qualquer coisa é motivo para os alvéolos se fecharem, os pulmões mirrarem e me faltar o ar. Mas sobrevivo. Tenho sobrevivido sempre. Com um copo de vinho tinto alentejano numa mão e um cigarro aceso na outra. Fode-te!, bronquite.

[escrito directamente no facebook em 2019/10/24]

Eu Sou o Filho, Eu Sou o Pai

Dia do Pai.
Onde está o meu? Onde estou eu?
Dia do Pai e estou aqui. Estou sentado. Estou sentado a um balcão. Tenho um espelho à minha frente. Um espelho meio tapado pelas garrafas. Um espelho meio despelhado pela queda do metal ou da prata que quebra o vidro e o faz, faria! reflectir.
Vejo-me mal. Uma curvas. Uma silhueta. Sou mesmo eu? Reconheço-me no meio da desfaçatez de um espelho velho e gasto?
Esse sou eu! Talvez.
Não sei onde está o meu Pai. Já o procurei entre as estrelas e não o encontro. Uso óculos. Preciso de lentes mais fortes. Lentes de fundo de garrafa de vinho tinto forjado no terroir alentejano. Lentes que desbravem o cosmos. A alma. A vida e a morte.
Não sei onde estou eu próprio. Eu fugido. Eu Pai.
Estou aqui, sentado ao balcão a tentar descobrir-me num espelho que já não espelha. Tenho um copo vazio à minha frente. Cheio. De novo vazio. Cheio outra vez. Vazio de novo.
Isto é um jogo.
A Cabra-Cega que não vê. A Apanhada que não agarra. As Escondidas que finge que não encontra. Mas sabe. Sabe onde está. Mas não diz. Não vê. Não quer saber.
Mas quer. Quer saber. Mas não sabe como.
Onde está o meu Pai? Onde estou eu?
Porque fugi? Não foi dele. Deles. Foi de mim. Mas não sei porquê. Ou sei. Sei mas não quero saber.
O copo continua cheio. E vazio. E de novo cheio.
Vejo-me ao espelho. Mas não me vejo.
É um jogo.
Tiro o revólver do cós das calças e coloco-o em cima do balcão.
É o dia do Pai.
Onde está o meu?
Onde estou eu?
Bebo do copo cheio. Fica vazio.
Estou ao balcão. Não sei quanto tempo vou ficar aqui. Não sei se quero ficar aqui. Nem sei se quero ir embora. Não sei nada. Não quero saber nada.
Só queria não ser nada. Não ser Pai. Nem ser Filho. Nem Irmão. Nem ser Eu.
Pego no revólver. Pego no revólver e faço girar o tambor. Tem balas, o revólver?
Olho o revólver na minha mão. O tambor a girar. E penso que tenho na minha mão a minha vida; E penso que tenho na minha mão o disco dos Beatles.
Tomorrow Never Knows. E é isto. Amanhã logo se vê. Porque não agora?
E o tambor do revólver gira. Gira no revólver. Não sei se o tambor tem balas. Não sei já o que tenho na mão. Se a minha vida. O amanhã. Todo o lado.
Onde é que está o meu Pai?
Onde é que estou eu?
E tu? E vocês?
Pode isto acabar bem?

[escrito directamente no facebook em 2019/03/19]