Já Não Reconheço a Minha Voz?

Estou à janela da cozinha a olhar para a rua.
Chove.
Já há algum tempo que não estava aqui assim, dentro da cozinha, no quente da cozinha, a ver a chuva a cair lá fora.
Vejo-me reflectido no vidro. Ora foco em mim e vejo-me no vidro da janela, ora foco no infinito e vejo o exterior, a chuva a cair, as árvores a dançar com o peso da chuva, as montanhas que agora mal vejo através da cortina de chuva.
Sopro um bafo quente no vidro da janela e embacio-o. Com o dedo desenho um sorriso dentro de uma cara redonda. Eu tento sorrir. Imitar o desenho no vidro embaciado. Parece-me que faço mais um esgar que um sorriso.
Os gatos estão no alpendre. Encolhidos. Cada um para seu lado. O cão não o vejo. Talvez esteja na casota.
Ao fundo vejo cair um raio. Está mesmo mau tempo. Aguardo pelo trovão. Pelo som do trovão. Mas não ouço nada. Só vi o raio. Não ouço o trovão.
E, afinal, lá vem ele. Começa com pezinhos de lá, aos tropeções, e termina num rebentar doido que parece entrar-me pela cabeça dentro e descer ao coração onde parece roubar o ritmo. O coração e o trovão batem ao mesmo ritmo, juntos, dançam juntos, com a mesma cadência.
Acendo um cigarro. Abro um pouco a janela, mas não muito para não entrar a chuva que parece vir tocada a vento. Os gatos ouvem o barulho da janela a abrir e viram todos a cabeça para mim. Nenhum se mexe, mas olham todos. Ainda estão a olhar. Parecem estar a pedir para entrar aqui em casa, mas sem estarem a pedir que são orgulhosos demais para isso. Mantêm aquele ar imperial e demasiado senhores do seu nariz. Um deles esboça, talvez, um miar, que vejo a boca a abrir e fechar, mas não ouço som nenhum. Não ouço nada sobre o som da chuva e do vento lá de fora.
Não ouço nada! digo eu, alto, só para me ouvir, para ver se conseguia falar, se me conseguia ouvir. Ao início, a voz arrancou embargada. O não não me pereceu perceptível. Teve de rasgar a garganta fechada. Depois, o ouço nada já foi perceptível. Mas a voz pareceu-me irreconhecível.
Era mesmo a minha voz?
Não reconheço a minha voz?
Não reconheço a minha voz? pergunto alto. Agora ouvi-me bem. Demasiado bem. Parecia que estava a falar do palco para a última fila da plateia. Não sei se era a minha voz. Se se parecia com a minha voz. Com o que é que se parece a minha voz? Sou demasiado teatral?
Ouço a campainha do micro-ondas. Já tenho a sopa quente. Está a apetecer-me um prato de sopa. Um prato de sopa de feijão, quente. Mando o cigarro pela janela aberta. Passa rente à cabeça de um dos gatos que se vira, maldisposto, para mim. Fecho a janela.
Ainda tenho azeitonas para pôr na sopa?

[escrito directamente no facebook em 2020/06/11]

A Árvore em Chamas

O cão devia estar na casota. Eu não o via, mas ele devia lá estar. Metido para o fundo. Com o que estava a chover, os salpicos que batiam na laje frente à entrada da casota disparavam para todos os lados. O cão devia estar dentro da casota bem metido lá para o fundo para fugir à chuva.
Eu via a casota da janela do quarto. Tinha ido fechar a janela porque a água da chuva estava a entrar dentro do quarto. Tive de andar com uma esfregona a limpar o chão. O soalho é flutuante. Esperava que a madeira não enfolasse com a água da chuva.
Foi quando andava a limpar a água da chuva do chão do quarto que vi a casota e pensei no cão. Ainda não lhe tinha dado comida nenhuma. Mas também não ia sair com aquele tempo.
Os gatos nem os via. Mas esses, às vezes, andam por aí a passear debaixo de chuva. Às vezes vão brincar com o gato da vizinha. Mas mal ouvem a porta da cozinha a abrir, há sempre um, pelo menos, a vir a correr para o alpendre e roçar-se nas minhas pernas.
O cão não o via mas devia estar lá dentro, bem fundo na casota. Se continuasse a chover não ia comer. Ele não ia sair lá de dentro e eu não ia colocar comida que ia ficar toda molhada. Não, ele não ia comer.
Depois de ter arrumado a esfregona, olhei em volta, em volta de mim, em volta de mim dentro de casa a pensar que raio iria fazer sem me apetecer fazer nada com o tempo chuvoso que estava; pensei em acender a lareira mas não estava frio nem eu tinha lenha para queimar; pensei comer um bolo daqueles estúpidos de pão-de-ló e iogurte que a minha mãe costumava fazer e lhe chamava o Bolo das Cerimónias mas a minha mãe já não estava ali para fazer o bolo e eu não sabia fazer bolos, na verdade nem gostava de bolos, estranhamente estava a apetecer-me uma fatia, e quem dizia uma fatia podia dizer duas ou três fatias de bolo e ficar ali em pé, no meio da cozinha a olhar para a chuva a cair lá fora na rua, dali não via a casota do cão, e pensava se este meu desejo por qualquer coisa doce não denotava alguma carência, nomeadamente afectiva já que me encontrava recluso em casa ia já para uma série de semanas, semanas essas sem contactos com quase ninguém e fisicamente com ninguém mesmo até que resolvi ir até à casa do vizinho pedir uma garrafa de vinho, ou talvez duas ou três.
O vizinho era na verdade uma vizinha, uma vizinha com quem já tinha tido um pequeno caso amoroso, bom, na verdade mais sexual que amoroso, que terminara mal e por isso já não nos falávamos. Mas precisava de um doce e, à falta de melhor, olhar para a cara da minha vizinha, mesmo que a dois ou três metros de distância, e quem diz cara diz o resto do corpo, era bastante tentador.
Peguei no chapéu de chuva e saí de casa. Ainda não tinha descido as escadas do alpendre quando apareceu um dos gatos a miar e a circular entre as minhas pernas. Já venho, pá! disse-lhe e o gato até pareceu ter entendido e sentou-se no chão do alpendre a ver-me descer as escadas.
Foi nessa altura que começou a chover mais ainda, uma chuva violenta, torrencial. Começou a trovejar. Vi uns relâmpagos a riscarem o céu para os lados das montanhas.
E, depois, ainda não tinha chegado ao portão de saída quando um raio caiu sobre uma das laranjeiras do quintal que, como uma acendalha, desatou em fogo imediato.
Fiquei parado a olhar a árvore a arder. Precisei de alguns segundos para perceber o que tinha acontecido. Estava fascinado. Nunca tinha visto nada assim. Voltei para trás. Voltei para o alpendre. Larguei o chapéu. Os gatos apareceram todos de todo o lado e ficaram a olhar para a árvore a arder. O cão não apareceu. Acendi um cigarro. Encostei-me à ombreira da porta da cozinha a olhar, com um certo prazer, para a laranjeira a arder. E pensei para comigo É melhor não ir a casa dela. É melhor ficar por aqui. E enquanto via o incêndio, perguntava-me se ainda me restava um bocadinho de gin. Ou de vodka.

[escrito directamente no facebook em 2020/04/05]

Perdi a Mochila que Levava às Costas

Atravessava a cidade quando ouvi o primeiro trovão. Fui apanhado desprevenido. Eu e todas as outras pessoas que se deslocavam na baixa da cidade em final de dia cheio de um calor tórrido e sufocante. Estava de calções e chinelos. Uma pequena mochila às costas, com o iPad, a Moleskine, a Kaweco, o Ventilan, as chaves de casa, um pacote de lenços de papel, um canivete-suíço e o livro que andava a ler. Já não sei qual era o livro porque, quando tudo se precipitou, perdi a mochila com tudo o que lá estava dentro.
Quando rebentou o primeiro trovão, toda a gente se assustou. Foi um grande estrondo. E apanhou toda a gente de surpresa. As pessoas pararam a olhar para o céu, a tentar perceber o que estava a acontecer. E foi por pararem a olhar para o céu, que toda a gente viu, e eu também, os relâmpagos que se precipitaram sobre a terra, vindos de um céu que escurecera tão rápido que nem tivemos tempo de processar o que estava acontecer. Eu vi os relâmpagos a riscar o céu. E achei lindo. Fantásticas obras de arte. Uns riscos tortos, descendentes, luminosos, decididos e assustadores. Parecia que cortavam o céu, de cima abaixo. Como se criassem portais para outra dimensão, outro universo. E caíram assim vários relâmpagos antes ainda de se ouvir o primeiro som. E quando começou a ribombar, parecia um concerto celestial diabólico que se abatia sobre a terra, sobre a cidade, sobre mim. Uma percussão em ritmo cadente. Com os baixos a acompanhar.
Começou a chover. Uma chuva copiosa, de gotas grossas que magoavam quando me caíam na cabeça.
Olhei em volta. Desatei a correr até uma esplanada coberta do outro lado do rio. Cruzei a ponte. Olhei, pelo canto do olho, enquanto corria, a água do rio agitada, sovada por milhares de pingos agressivos que faziam subir estilhaços de água até à plataforma da ponte. Entrei dentro da esplanada coberta. O barulho era ensurdecedor. Os pingos da chuva caíam na cobertura da esplanada, que não sei de que era feita, e eram amplificados a ponto de não me conseguir ouvir a pensar.
Sentei-me, molhado, a uma mesa. Sacudi-me. Esperei que me perguntassem o que queria. Nem sabia o que queria. Mas ninguém veio ter comigo. Os empregados do café estavam todos a olhar a chuva a cair e ignoraram os clientes acabados de entrar, clientes assim como eu, fruto do acaso, clientes que se refugiaram ali da chuva e dos relâmpagos, mas que não deixavam de ser clientes. Eu queria qualquer coisa. Um chá, um café, uma cerveja, um bagaço. O que quer que fosse que saísse primeiro da boca no momento de fazer o pedido.
E foi então que um raio caiu no prédio em frente à esplanada. O prédio rebentou como se tivesse sido bombardeado e a deslocação de ar fez rebentar as janelas da esplanada e soprou toda a gente para o fundo do café.
O prédio em frente começou a arder. O café também. Houve máquinas a rebentar. O ar condicionado explodiu. Eu levantei-me. Corri para a rua. Estava a chover torrencialmente. Mas corri feito louco. Descobri que tinha perdido os chinelos e corria descalço. Cruzei de novo a ponte. Nem olhei para a água. Procurei a entrada de um prédio aberta. Não via nenhuma. As lojas estavam fechadas. Outras rebentadas. Os vidros partidos. Havia gente a roubar embalagens, camisas, calças de ganga, t-shirts, cintos dos prontos-a-vestir de montras escancaradas. E vi uma entrada de Multibanco com gente lá dentro. Corri para lá. Abriram-me a porta. Entrei.
Percebi que estava cansado. Com bronquite. Encharcado. Descalço. Com os braços cheios de sangue. Os pés pretos, sujos. Tinha perdido a minha pequena mochila.
Encostei-me a um bocado de parede livre e deixei-me escorregar para o chão. Sentei-me. Lá fora continuava a chover torrencialmente. Continuavam a cair relâmpagos que estavam a deixar a cidade a ferro e fogo. Os trovões não se calavam. E eu não sabia se ali estaríamos em segurança. Mas estava cansado. E senti-me a adormecer.
Sinto-me a adormecer.

[escrito directamente no facebook em 2019/07/12]

Em Estágio

Entrei em estágio. Estou a vinte e quatro horas do último jogo do campeonato e entrei em estágio. Estou preparado para o que aí vem.
Sentei-me no sofá. Estou em frente à televisão. Agora está desligada porque não quero desconcentrar-me. Estou focado no jogo. No último jogo do campeonato. No jogo que pode definir o título.
Fui à Nazaré comprar tremoços. Subi a São Pedro de Moel para comprar pevides. Fui ainda um pouco mais acima, à Figueira da Foz, para comprar uns camarõezinhos. No regresso a casa passei pelo Modelo-Continente e comprei uma grade de minis Sagres. Um volume de Marlboro Soft Pack. E gasolina para o Zippo.
Vesti a minha camisola imitação dos anos ’60. Encarnada. Debruada, na gola e nas mangas, a branco. De algodão. Com o emblema cosido à esquerda, sobre o coração.
Estou sentado no sofá. A televisão desligada à minha frente. Bebo um copo de vinho. A cerveja é para amanhã. Fumo um cigarro.
Penso que ainda faltam vinte e três horas para o jogo. Queria ligar a televisão, para ver o que se passa. Mas não quero condicionar a vontade. Não quero ouvir as especulações. Não quero perceber o nojo. Mas estou a ficar cansado de estar aqui fechado dentro de casa. A olhar para nada. Penso em ir até à rua, mas tenho medo que me aconteça alguma coisa. Pode cair-me um raio em cima. Uma marquise pode despenhar-se sobre mim. Um cão pode morder-me. E pode estar com raiva. Pode chegar uma nave extraterrestre e levar-me para fazerem experiências.
Não!
Fico aqui. Se calhar ainda faço uma cafeteira de café. Para ajudar a passar a noite. É isso! Vou fazer café! Não posso adormecer. Posso não acordar. Não posso correr o risco de não acordar. Pode dar-me o badagaio durante o sono. Um ataque cardíaco. Um AVC. Não posso correr o risco. Tenho de estar acordado. Para chamar um médico. Ou o INEM. Se fôr caso disso. Espero que não. Mas tenho de estar atento. Acordado.
Desligo o telemóvel para não me interromperem. Se liga alguém de um Call Center? Para mudar a rede do telemóvel? Para mudar o cabo? Não, o cabo não que não tenho cabo. Para mudar a rede de internet? A internet! Tenho de desligar a internet para não me pôr a interagir no Facebook, no Twitter, no Intagram, no Tinder. Não quero desconcentrar-me. Quero estar atento. Quero estar atento ao último jogo do campeonato.
Faltam pouco mais de vinte e duas horas. Estou em pulgas. Estou nervoso.
Porra! Não posso desligar a internet. A minha televisão só funciona com internet. Não tenho cabo. Só internet. Vou voltar a ligar.
Estes dias são muito complicados. Demasiadas exigências.
Bebo outro copo de vinho. Fumo outro cigarro.
Apetecia-me ler um livro. Mas não consigo. Estou demasiado excitado. Não conseguia focar-me nas letras. Abro a boca. Bocejo. Mau! Estou com sono. Ora bolas!…

Abro um olho. Depois o outro. Lá fora é dia. Foda-se! Deixei-me adormecer. Que horas são? Olho para o telemóvel. Está desligado. Olho para a televisão. Não tem horas. Levanto-me. O corpo estala. Parece que os ossos se desmontam. Vou à cozinha. Olho para a porta do forno. Faltam pouco mais de dez horas. Aproveito para beber um café. Ponho uma caneca a aquecer no micro-ondas. Levo a caneca de regresso para a sala. Sento-me de novo frente à televisão desligada. Tenho de decidir a que horas a ligo. Mas ainda há tempo. Ainda é cedo. Acendo um cigarro. Levanto-me a abro a janela da sala. Olho para a rua. É incrível como as pessoas continuam nas suas vidas sem se aperceber da importância deste dia. Sem se aperceberem que o último jogo do campeonato está quase a começar. Com o podem ser tão alheadas?
Mando a beata do cigarro para a rua. Regresso ao sofá. Olho as pevides e os tremoços na mesa de apoio. Pergunto E os camarõezinhos da Figueira? E de repente lembro-me Ah! Estão no frigorífico. Com as minis. A minha perna começa a bater no chão. Com um ritmo rápido. Estou nervoso. O estágio deixa-me nervoso.
Nunca mais começa o jogo?

[escrito directamente no facebook em 2019/05/17]

Este Ano Foi Assim, para o Ano Logo se Vê

A minha mãe costumava dizer Este ano foi assim, para o ano logo se vê.
Eu fui à Nazaré ao final do dia. Beber uma cerveja no Sítio e ver o pôr-do-sol. Estava um final de dia maravilhoso. O sol laranja incandescente ao fundo, sobre o mar. Fiquei à espera do Raio Verde, mas o sol pôs-se atrás das Berlengas. Malditas ilhas que me mataram o olhar. O sol foi-se mas o céu permaneceu, ainda durante bastante tempo, em tons púrpura. A verdade é que não parecia Dezembro. Inverno. Natal. Estava sol. Estava calor. O céu em fogo. O mar de prata. O tempo é uma coisa esquisita só ao alcance de alquimistas. Cada vez mais entendo menos o que se passa.
Quando regressava, já quase de noite, a cor púrpura a dar lugar a um azul bastante escuro, quase preto, descobri a Lua. Uma Lua enorme. Talvez a maior Lua que já vi na vida. Parei o carro. Saí. Acendi um cigarro e fiquei ali, parado na berma da estrada, a olhar aquela Lua enorme que me fazia lembrar o Elliott a voar na bicicleta com o E.T. no cesto. Ao mesmo tempo provocava-me uma angústia. Esta Lua, belíssima, transtornava-me a cabeça. Fazia-me doer. Fazia-me sentir irritado. Não sei com quê nem com quem. Só irritado. Maldita Lua cheia que ainda me ia pôr a uivar!
Regressei a casa.
Estava com fome.
Pus-me a fazer um bocado de arroz. Abri uma lata de atum e desfiz o atum em farripas. Abri uma garrafa de vinho. Uma garrafa das Cortes. Tinto. Sem rótulo. Acabei a misturar ao arroz com atum umas azeitonas que descobri no frigorífico. Despachei a garrafa de vinho. Afinal tinha era sede.
Depois, no fim de comer, levantei-me e fui fumar um cigarro à janela. Mal abri a janela chegou-me, vindo da casa de alguma vizinha, a Tempestade da Márcia. A voz desta rapariga dá-me volta à cabeça e ao coração. Prende-me a respiração. Dá-me tonturas.
Acabei o cigarro. Acendi outro. Sentia-me ansioso. Não sei se era da Lua. Da Márcia. Do Natal. Da solidão. Olhava a rua, os prédio em frente, as janelas com luz e sentia um vazio dentro de mim. Trouxe o olhar para dentro de casa. Olhei a parede branca em frente. A fruteira sobre a bancada de mármore. As cadeiras vazias à volta da mesa de madeira. O silêncio no interior de casa. A Tempestade que vinha do exterior. Eu ali no meio. A cabeça num turbilhão de conversas. Como se eu fosse muitos e estivéssemos todos a falar ao mesmo tempo.
E dou comigo a pensar Quando ouço alguém dizer, e hoje ouvi dizê-lo, no meio de uma confusão de conversas soltas, que a vida é uma dádiva, pergunto para quem? Para quem é que a vida é uma dádiva? Porque é que é uma dádiva?
Que raio!
Gostei de ter visto aquele pôr-do-sol maravilhoso. Aquela Lua enorme. Mas não me chega. Se é a vida é só isto, não é uma dádiva é um logro. Enganado pelas lantejoulas e purpurinas.
Este ano foi assim, para o ano logo se vê. Mas não espero grande coisa. Grande coisa da vida, claro. Nunca foi. Nunca é.

[escrito directamente no facebook em 2018/12/22]