A Lâmina Mais Pequena É Sempre a Mais Afiada

Não sei como fazer as coisas. Mas não posso continuar como se não se passasse nada. Não posso.
Vejo os meus olhos tristes ao espelho. Faço a barba. Faço a barba com navalha e espuma de sabão. Nunca tinha feito a barba com navalha. Ela não está muito bem afiada. E eu nunca tinha feito a barba com navalha. Passo-a várias vezes pelo mesmo sítio. Para raspar bem. Para raspar melhor. Corto-me. Mas nada de grave. Uns cortes sem importância. Estanco o sangue com pedaços de papel higiénico.
Massajo a cara barbeada com after shave. Encetei um frasco que a minha filha me deu há… Há dois anos, acho. Não costumo fazer a barba. Não costumo usar after shave.
Será que vão achar estranho?
Tenho de fazer alguma coisa. Não posso esperar mais.
Tomo um banho de imersão. Há quantos anos não o fazia? Ela vai achar estranho. Não tarda vai querer entrar na casa-de-banho e vai achar estranho eu estar a tomar banho de imersão. E não sei mentir. Não consigo fingir. Oh! Mas sabe-me tão bem!
Deixo-me ficar quieto na banheira durante algum tempo. E penso como a vida pode ser fabulosa na sua simplicidade. Um simples banho de imersão e esqueço-me de mim.
Ela abre a porta da casa-de-banho, coloca a cabeça dentro e diz Demoras muito? e eu sinto-me despertar da minha letargia, forço um pequeno sorriso e digo Saio já! e ela ainda comenta Banho de imersão, hum? Lorde!, sorri e eu volto a dizer Saio já!
E saio. Saio já. Seco-me. Vou vestir-me no quarto. Não me cruzo com ela. Nem com eles. Visto-me. Umas calças de ganga e uma camisola. Ouço-a entrar na casa-de-banho. Ouço-os a eles na brincadeira na cozinha. Desço as escadas e dirijo-me à porta da rua. Grito alto para toda a casa ouvir Adeus! Estou atrasado! Beijos! e ainda os ouço gritar, chamar por mim Pai! Pai!, mas saio a correr, rápido, não os quero ver, não os quero encarar, e entro dentro do carro e arranco pelas ruas do bairro. Olho para o espelho retrovisor e vejo os olhos molhados. Páro o carro na berma de uma rua qualquer e desato a chorar. Choro compulsivamente. Grito. Ainda aqui estou e já sinto saudades. Saudades dela. Deles. Da minha vida. Da vida.
Tento respirar. Tento respirar com calma. Acalmo. Páro o choro compulsivo. Mas choro. Ainda choro. Acendo um cigarro. Abro a janela do carro e deixo o fumo sair para a rua.
Vejo as crianças a pé a caminho da escola. Uma mulher, de robe, passeia um cão pequenino pela berma da estrada. Passam carros. Carrinhas. Um jipe. Motas. Várias bicicletas. Miúdos de bicicleta a caminho da escola.
Deito fora a beata ainda fumegante.
Olho o relógio. Vejo as horas.
Acendo outro cigarro.
Vejo os carros passarem. As pessoas passarem. Os cães passarem. As minutos passarem. A vida passar.
Volto a casa. Está em silêncio. Vazia. Já não está ninguém.
Deixo o carro. Deixo a carteira. O dinheiro. O telemóvel. As chaves. Tudo em cima da mesa da cozinha. O bloco aberto. Amo-vos! escrito numa linha de página do bloco como se fosse uma redacção da escola.
E vou embora. Outra vez. De vez.
Saio a porta. Olho a casa pela última vez. Penso que aguentei quase dois anos sem trabalho. Ela aguentou. Eles todos aguentaram por mim. Mas isto agora… Isto agora já é demais. Eles precisam de viver as suas próprias vidas. Sem âncoras que os prendam.
Faço as ruas do bairro a pé. Não me cruzei com ninguém conhecido. Pelo menos, não dei por isso.
Desço até à cidade. A pé até à cidade. Um bilhete de autocarro para fora da cidade. Não precisa de ser muito longe. Tem de ser é muito rápido. Para não ter tempo de me arrepender.
Vou até uma aldeia que nem conheço. Nunca ouvi falar. E fica aqui nos arredores da cidade. Saio do autocarro. Caminho ao longo da rua da aldeia. Saio da aldeia. Entro no pinhal. Caminho à deriva pelo pinhal. Vou andando enquanto consigo. Começo a chorar. Sinto saudades. Saudades deles. De tudo. Tenho uma dor de estômago e vomito. Vomito agarrado a uma árvore.
Sento-me no chão, em cima de uma manta de musgo, encostado a um pinheiro. Acendo um cigarro. Sinto uma grande angústia.
Penso em quando acompanhei o meu pai à quimioterapia. Penso em quando acompanhei a minha mãe. E penso que não quero que me acompanhem a mim.
Acabo de fumar o cigarro. Apago-o no musgo, entre as minhas pernas.
Agarro no canivete-suíço. Puxo a lâmina mais pequena. Está mais bem afiada.

[escrito directamente no facebook em 2019/10/09]

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Dos Fracos Não Reza a História

A história é contada pelos vencedores. Pelos fortes. Dos fracos não reza a história. Os fracos não têm história. Os fracos não existem. Só existem os vencedores. Os fortes.
Eu sou um fraco. Quebrado. Destruído. Mas eu conto a minha história. Vou contando a minha história. Vou contado a história de um falhado, perdido na voragem gananciosa da cidade, mas que está aqui, vergado, mas está aqui, a dizer que está aqui. Porque, afinal, os vencedores precisam dos vencidos para existirem. E eu estou aqui. Só existem por mim. Porque eu vos garanto existência pela minha derrota.
Acendo um cigarro. Puxo o fumo para os pulmões. Travo o fumo. Mas não aguento muito tempo. Tempo nenhum. Também os meus pulmões estão falhos. Tudo em mim falha. Mas sigo em frente. Continuo a fumar. Indiferente aos gritos da minha fraca respiração. Não importa que eles parem. Não tenho porque continuar a respirar. Eles vão funcionando até deixarem de funcionar. Não é assim com tudo?
Arrasto-me pela rua escura. Os prédios altos não deixam cá chegar a luz do dia. Não deixam cá chegar o calor do sol. Cheira a mofo. A humidade. Cheira a mijo. Vejo passar uns ratos junto à parede. Uma velha mija num canto, abaixada, coberta pelo pano largo da saia rodada. Não a olho e ela agradece. Conhecemos os códigos.
Vejo um puto a cheirar cola. Apetecia-me gritar com ele. Arrancar-lhe o saco de plástico das mãos. Dar-lhe um par de estalos e depois levá-lo a comer um Happy Meal. Mas sigo em frente. Não faço nada do que devia fazer. Baixo a cabeça. Uns rapazes novos, ainda com esperança na vida, descarregam um camião nas traseiras do Centro Comercial. Mais tarde irão lá gastar o dinheiro que ganharam a descarregar o que lá irão consumir. Que mundo de merda.
Olho mais à frente. O tipo está cá fora a fumar um cigarro. Eu deito fora o meu. Aproximo-me dele. Silencioso. O silêncio dos que não existem. O silêncio de quem não tem história. Na mão uma navalha. Levanto a mão. Levanto a navalha. Faço-a deslizar ao longo do pescoço. Abro-lhe um rasgão. Apanhado de surpresa leva a mão ao pescoço mas não lhe serve de nada. Já é tarde. Tarde para tudo. O cigarro cai-lhe da mão. O sangue jorra às golfadas e ele também deixa de existir enquanto desliza para o chão. Eu tiro-lhe o telemóvel do bolso das calças. Coloco-lhe o dedo, que limpo às suas calças, no telemóvel e ligo-o. Aproximo o telemóvel da fechadura electrónica e entro no Banco pelas traseiras. Faço a visita completa a todos os gabinetes do Banco. Sou invisível. Ninguém me vê. Não existo. Vou apanhando todas as poucas notas que vou encontrando. Nas gavetas. Nas carteiras dos funcionários. Nas caixas. Mesmo debaixo do nariz de toda esta gente que não me vê. E saio. Saio com os bolsos forrados com algumas notas que não são muito, mas irão dar para alguma coisa. Para ir vivendo no meu canto.
A história é contada pelos vencedores. Pelos fortes. Dos fracos não reza a história. Os fracos não têm história. Os fracos não existem. Só existem os vencedores. Os fortes.
Eu sou fraco. Mas vou contando a minha história para que a história dos vencedores não seja a única história a ser aprendida. Porque os fracos também têm história. Uma história que quer ser escutada.

[escrito directamente no facebook em 2019/07/29]

Em Agosto Vi Zé Café & Guida

A festa era na aldeia. Naquela aldeia. Poderia ser noutra que em Agosto há festas todos os dias em diferentes aldeias, vilas, cidades e às vezes até se sobrepõem as festas porque é preciso agradar aos santos e santinhos todos e aos emigrantes filhos da terra que vêm cá construir as suas casas e pagar IMI e mais outros impostos que a Junta está necessitada, mas hoje era ali, naquela aldeia, no sopé da montanha, ao lado da Nacional 1. Pelo menos era o que tinha lido no cartaz publicitário à saída do InterMarché.
À entrada da aldeia fui recebido com decorações luminosas daquelas que se utilizam no Natal ou na Feira de Maio, com curvas, rectas, circunferências em espiral e unicórnios e o nome da terrinha em luzes brilhantes de tom amarelado.
Entrei pela aldeia e não vi nada. Estava deserta. Deserta de festa e de pessoas. Não havia vivalma na rua. Não havia barulho. Não havia luminosidade para além do pórtico de chegada. Um vazio.
Dei uma volta por umas ruas residenciais que se transformavam em estradas industriais. A aldeia confundia-se com a zona industrial. Por vezes com pouca luz. Ou nenhuma. Tornava-se assustador.
Não se passava nada.
Estava num buraco negro.
Dei voltas e mais voltas e descobri que a aldeia era essencialmente uma estrada comprida e segui-a em frente, passei pela igreja silenciosa e, quase no fim, quando a aldeia parecia misturar-se com a escuridão e dar lugar ao pinhal, lá surgiu o clube recreativo e cultural, mais umas luzinhas coloridas, festivas e o som da festa, do baile, do concerto, a dar colorido ao cheiro a bifanas, frango assado e à filhós que acompanhava o café da avó.
Quando cheguei já Zé Café & Guida estavam em cima do palco. Cantavam um dos seus hits que falava de amor, desamor, lágrimas e alegria. O Zé Café agarrado ao órgão eléctrico. A Guida de microfone na mão, às vezes no suporte, ia carregando o dedo no iPad que estava espetado no aparelhómetro do órgão.
Meia dúzia de pares dançava em frente à boca do palco. Ele com ela e ela com ela. Mães e filhas. Irmãs. Não havia muito mais a dar pezinhos de dança. O resto das gentes estava espalhado pelas barracas de repasto, sentados em cadeiras de plástico a comer e a beber.
No fim da música a Guida chamou ao palco a Leonor, a filha pequenina, aí dos seus dez anos, que foi interpretar uma música chamada Mariana e mais tarde uma outra da qual esqueci o nome, mas que era cantada em português do Brasil com um belo sotaque carioca.
Três músicas mais à frente e o baile foi interrompido por dois tipos que apareceram a dar murros um ao outro. Chegaram outras pessoas a tentar separá-los, e alguns acabaram também por se engalfinhar. Havia sangue a voar. A Guida parou de cantar e agarrou na filha ao colo. O Zé Café continuou a tocar um muzak para ver se entretinha a besta do apocalipse. Ouvia-se gritos. Palavras feias. Cheguei-me para um lado. Afastei-me da confusão. Histórias de gajas. Gajas com gajos. Traições, ou nem isso. Simplesmente ciúmes. Há gajos assim. Ciumentos. E gajas também assim, namoradeiras.
O Zé Café parou a música. A confusão agora era total. Homens, mulheres e crianças estavam no meio da barafunda. Alguns dos homens batiam-se a sério. Vi uma navalha. Vi sangue. Vi um nariz partido. Vi uns dentes a rasgar uma orelha. Só não vi a polícia.
Saí dali. Entrei no carro e voltei à Nacional. Pensei em ir ao Bigodes comer uma sopa, mas achei que precisava era de ir para casa, fumar um cigarro e dormir. Amanhã havia outra festa. E eu comecei a tomar-lhe o gosto.

[escrito directamente no facebook em 2018/08/14]

Mão Morta, Mão Morta Vai Bater Àquela Porta

Estávamos encostados à entrada de uma porta de prédio a fumar. O charro circulava. Mas fumávamos depressa porque estávamos atrasados. Estávamos todos atrasados para o mesmo.
Matámos o charro e fomos.
Aguentámos a fila cheia e caótica. Rimos. Rimos bastante. Rimos feitos parvos.
Quando chegámos lá dentro fui buscar uma cerveja e arranquei para o pé do palco. Perdi os outros tipos que devem ter ido para a casa-de-banho. Mas eu tinha de aguentar. Queria ficar ali. Queria ser o primeiro.
Ao meu lado foi chegando mais gente. A frente do palco ficou cheia. Uma miúda virou-se para mim com a mão levantada e perguntou-me Queres? e eu disse Sim. E enfiou-me não-sei-o-quê na boca e eu engoli o não-sei-o-quê e empurrei com um gole de cerveja.
Depois chegou a banda e começou a tocar. E eu via e ouvia e delirava.
Uma pedra!, diria eu mais tarde.
Um concerto do caralho!, reforçaria.
Mas a verdade é que a partir de certa altura o concerto se tornou uma coisa muito estranha.
Lembro-me do vocalista aproximar-se de mim, com uma ponta-e-mola na mão e ameaçar-me. Tentou por duas vezes espetar-me a navalha entre os olhos e não conseguir e depois, acabou por cortar a própria perna.
Eu vi o tipo gritar, levantar a mão com a navalha, e depois baixá-la uma, duas, três, quatro vezes, e cada vez que baixava a mão com a navalha, cortava a perna. Primeiro as calças, depois, cada vez que a mão descia, o sangue esguichava. A minha t-shirt acabou cheia de sangue e eu senti-me uma elemento da história daquele concerto.
Entrou um roadie com uma fita, e enrolou a fita na perna do vocalista e fez um garrote.
Os músicos olhavam uns para os outros e não sabiam se deviam continuar, mas o vocalista continuava em êxtase, a cortar a perna, a lançar sangue para o público e aos pulos acompanhando o ritmo cadente do baixo, até que caiu de borco no chão. E já não se levantou.
Os músicos ainda tentaram continuar, repetiram a malha várias vezes à espera que o vocalista se levantasse. Mas tal não aconteceu. Ele caiu e não se levantou mais.
O roadie entrou em palco com outro tipo e levou o vocalista embora. Depois, o baterista levantou-se e saiu, também. O baixista seguiu-o. Por último o guitarrista fez um solo, deixou a guitarra em loop e foi também embora.
Ao meu lado parecia tudo maluco. Dançavam aos murros e pontapés uns aos outros.
Eu queria sair e não conseguia. Eu queria ir embora mas não me consegui mexer.
Ainda aqui estou à espera que alguém me venha buscar. Já não aguento o cheiro a sangue na minha t-shirt.
Quero ir tomar banho. Quero mijar. Quero uma cerveja. Um cigarro. Uma gaja.
Mais um não-sei-o-quê.
Foda-se! Uma Pedra! Que concerto do caralho!

[escrito directamente no facebook em 2018/06/20]

Sou Corajoso ou um Medricas de Merda?

O tempo parou. E veio o silêncio. Só ouvia o bater do meu coração. Tum-tum.
A navalha estava encostada à minha barriga, mas estava parada. O tipo à minha frente, o tipo que agarrava a navalha que estava encostada à minha barriga, estava parado. Eu estava parado. Tudo ali à volta estava parado.
E eu pensei.
Pensei nas muitas vezes em que me confrontei com a minha coragem ou cobardia. Seria eu um herói corajoso ou um medricas de merda? Tum-tum.
Sempre quis saber que tipo de gajo era eu.
Nunca fui de andar à tareia com ninguém. Mas nunca fugi.
Não fiz a tropa. Nunca pertenci a claques nem a juventudes partidárias. Nunca participei em nenhum assalto. Mas nunca me senti com medo. Sempre andei por todo o lado, em todo o lado e sem medo. Tum-tum.
O tipo estava ali, de navalha na mão junto à minha barriga, e eu estava a pensar no que tinha pensado que fazia.
Sempre me tinha perguntado se fosse assaltado, eu seria pessoa para fugir de medo ou, por outro lado, armar-me-ia em herói e libertava a minha fúria sobre o assaltante? Tum-tum. Ficaria borrado de medo, chorava e deixava que me fizessem tudo o que quisessem ou a adrenalina mandava-me para cima do tipo aos murros com as chaves de casa entre os dedos até estender o tipo, a sangrar, no chão? Tum-tum. É difícil perceber o que somos capazes de fazer em situações limite.
O tipo continuava ali, parado, com a navalha encostada à minha barriga e o tempo retomou o seu trajecto constante rumo ao futuro. Voltou o barulho da vida. E deixei de ouvir o bater do meu coração.
Dá-me o teu dinheiro!, disse-me o tipo com a navalha na minha barriga.
Eu não senti medo, mas também não senti o apelo do heroísmo. Levei as mãos aos bolsos das calças e tirei uma nota de vinte euros. É o que tenho, disse-lhe.
O tipo agarrou na nota de vinte e aproximou-se de mim, com a navalha sempre encostada. E enfiou a mão nos bolsos da frente das minhas calças.
Encontrou um isqueiro Zippo prateado fosco, e umas moedas que não chegavam a cinco euros.
Eu tirei-lhe o Zippo da mão e disse-lhe Não! O Zippo, não!
E preciso das moedas para apanhar o Metro.
Eu estava no meio dos túneis do Metro no Marquês de Pombal, em Lisboa. Era meia-noite. Já passava. Estávamos os dois ali sozinhos. O tipo tinha a navalha encostada à minha barriga. Olhou para mim. Olhou para o Zippo na minha mão. E voltou a colocar as moedas no bolso das minha calças. Ok, disse. Obrigado, disparou enquanto se afastava de mim por um dos túneis do Metro.
Eu fiquei ali parado por momentos. Não estava com medo. Também não me apeteceu bater-lhe. Nem ir fazer queixa à polícia. Tive pena do tipo. E fiquei contente comigo.
Nessa noite percebi quem eu era.

[escrito directamente no facebook em 2018/06/03]

Uma Navalha e o Fundo

Evitei sempre fazer a barba. Por isso tenho-a sempre um pouco grande. Não porque goste. Mas por medo. Medo que a minha mão ganhe vontade própria e, com a navalha afiada, me corte o pescoço.

Enquanto cais, percebes que o poço não tem fundo. Ou descobres o fundo quando percebes que já não consegues cair mais.

[escrito directamente no facebook em 2017/07/04]