Conversas à Varanda

Despertei sozinho na cama. Virei-me para o outro lado, estiquei os braços e as pernas para a outra metade da cama e senti o frio. Ela já devia ter-se levantado há algum tempo. Ao fim-de-semana levanta-se cedo. Acorda cedo. Dá umas voltas na cama. Não consegue voltar a adormecer e levanta-se. Vai pôr roupa a lavar. Aproveita o bom tempo para estender a roupa ao sol. Limpa a casota do cão. Trata do canteiro das especiarias. Às vezes começa a preparar o almoço. Não consegue parar um segundo. É raro encontrá-la sentada no sofá a ler um livro. Não que não goste de ler, não consegue é estar quieta por muito tempo.
Eu levantei-me. Vesti uns boxers. Fui até à cozinha. Tinha um copo com sumo de laranja natural na mesa à minha espera. Peguei no copo. Ouvi vozes vindas do exterior. Aproximei-me da janela da cozinha. Ela estava no alpendre, encostada à um pilar, a fumar um cigarro e a conversar com a vizinha, por cima do muro que dividia as duas casas, enquanto esta lavava a casota do cão. Não percebia o que estavam a dizer. As janelas estavam fechadas. Mas fiquei ali a olhar para elas, uma de cada lado do muro, cada uma delas no seu quintal, a conversar sobre não-sei-o-quê, trivialidades da vida talvez. Gosto de ver esta relação entre vizinhos. Gosto de ver a utilização dos alpendres e das varandas. Gosto de ver vida fora das casas.
Lembro-me da minha mãe que conversava de janela para janela com as vizinhas do prédio. Às vezes trocavam necessidades em pequenos cestos descidos em cordas, como elevadores entre janelas. Às vezes chamava-me quando eu andava na brincadeira com os meus amigos, para ir à mercearia buscar açúcar ou ovos que precisava para fazer um bolo, fazia descer o pequeno cesto por uma corda com o dinheiro e depois, quando eu regressava com o que tinha comprado na mercearia, punha as coisas no cesto e ela voltava a puxá-lo para cima.
No Verão também era normal eu estar a jogar à bola no quintal, com os vizinhos do prédio, e os pais estavam nas varandas a fumar cigarros. Pareciam pirilampos a acender aqui e ali, como um jogo de luzes psicadélicas.
Hoje em dia vejo as varandas vazias. A maior parte delas nem um vaso com flores. Ninguém à varanda. São prédios fantasma. Bairros mortos. Impessoais. Os vizinhos não comunicam. As pessoas não vêm à rua respirar ar fresco, fumar um cigarro, olhar as pessoas a passar, os namorados agarradinhos, os casais apressados, o rapaz que já vai atrasado, a criança que pedala na sua bicicleta com rodinhas de apoio.
Em casa dos meus pais, quando era Verão, ele colocava uma mesa pequena na varanda e comíamos lá. Comíamos nós na nossa varanda e os nossos vizinhos nas varandas deles. Às vezes ainda conversavam de varanda para varanda. Ainda me lembro dos jogos da UEFA ouvidos pela rádio à janela, e as discussões de janela para janela. Uma vez um vizinho despejou um jarro de água sobre a cabeça do vizinho de baixo. Mas continuaram amigos.
Acabo da beber o copo de sumo de laranja natural. Ela entra em casa. Vem a sorrir. Traz um saco de plástico na mão. Dá-me um beijo. Eu digo Hoje almoçamos no alpendre. E ela diz Boa. A vizinha deu-me dois robalos. Podes ir assá-los, e estendeu-me o saco de plástico com os robalos lá dentro.
Fui fazer as brasas. Ela depois apareceu lá com os dois robalos limpos e alguns pimentos. Levou-me uma cerveja e umas azeitonas. Ficou lá, por momentos, a fumar um cigarro e a olhar para mim a assar o peixe que depois iríamos comer no alpendre. Às vezes sinto-me o meu pai.

[escrito directamente no facebook em 2020/03/07]

Ano Novo, Vida Nova

Já fiz quase dois dias inteirinhos deste novo ano que estreei ontem. Nada de novo debaixo do sol nem dentro de casa.
Queria acreditar que as coisas seriam diferentes. Não são.
Regressei ao trabalho. Entrei às oito da manhã. Estava ainda escuro. Frio. Mesmo em sistema self-service, as pessoas ainda me pedem para ser eu a encher os depósitos. A agarrar a mangueira de combustível e enfiar a agulheta dentro da entrada do depósito do carro. O cheiro. O óleo nas mãos. Tudo igual. Pagam em plástico. No final já nem espero uma moeda de gorjeta. Já lá vai o tempo. Agora é como se eu fizesse parte do preço do litro. O meu trabalho. Um trabalho de merda, mal pago e mal tratado.
Foi um dia de muito movimento. Os carros chegavam quase vazios e queriam voltar a partir cheios. Andou-se muito durante as festividades. Fez-se fila. Eu sozinho. Para encher os depósitos. Para receber os pagamentos. Para os trocos para a máquina de tabaco. Pediram-me para passar uma escova no pára-brisas. Para calibrar os pneus. Pediram-me duas latas de óleo. Uma embalagem de detergente para os vidros. Os que esperavam para o combustível, buzinavam. Eu olhava, mas não podia fazer nada. Estava sozinho. E assim continuei. Sozinho a servir toda a gente. Uma gente bem cheirosa, sabonete, champô, after-shave, perfume. A quererem agradar ao novo ano. Eu também vim de banho tomado. Durou até ao segundo carro.
Pude fazer uma breve pausa a meio da manhã. Bebi um café na máquina de venda automática e fumei um cigarro. Cheguei a imaginar pegar fogo à estação de serviço e ver tudo a arder. Eu sentava-me no lancil do passeio do outro lado da estrada a ver os depósitos de combustível a explodirem e a queimar tudo ali à volta. Eu sentado no passeio, a fumar um cigarro e a contar os minutos que os bombeiros demorariam a chegar ali à estação. O quartel dos bombeiros fica a cerca de quinhentos metros de distância da estação de serviço mas, o camião tem de dar a volta pelo outro lado, que a estrada é de sentido único. A sirene tocaria. A chamar os bombeiros que estariam ainda de cama. Agarrados às mulheres de penteado novo pela festa de Passagem de Ano. Alguns ainda de ressaca. Demorariam a responder ao apelo. Quanto tempo até chegarem ali à estação?
Cheira-me bem. Não é o cheiro a queimado. Não é o cheiro a gasolina. É um cheiro a dinheiro fresco.
A buzina a tocar. A buzina a tocar e ninguém a responder ao apelo. A buzina afinal era do carro de um cliente que me chamava. Um Mercedes. Um homem de fato e gravata. Senti-lhe o cheiro de perfume do outro lado da estrada antes de perceber que a buzina era para mim. Apago o cigarro na estrada. Levanto-me. E lá vou eu.
Claro que sim. Claro que atesto o carro. Sim, sim, eu. Eu agarro na agulheta. Puxo a mangueira. Fico ali a agarrar na agulheta até encher o depósito. Café só na máquina. Eu tenho moedas. Sim. Olhe aqui. Sim. Já sai com açúcar. Pode escolher a quantidade. Sim, tem colher. É de plástico. Infelizmente. Mas irá mudar, sim. Quem sabe quando?
Ano novo? Vida nova? Não nestas latitudes. Não na minha vida. Aqui continua tudo igual. Tudo velho.

[escrito directamente no facebook em 2020/01/02]

As Esplanadas da Minha Cidade São Fechadas com Acrílico

A Bola de Berlim e o Compal laranja à minha frente. Largados assim, na mesa à minha frente. O papelinho com a conta deixado em cima da mesa para me avisar que tenho de pagar. A caixa com os guardanapos, cortesia da Compal, colocada em cima do papel da conta para ele não voar. E fica ali assim, a olhar para mim. A dizer-me Tens de pagar!
Peço à rapariga que limpe a mesa. Afinal, está aqui um cinzeiro cheio e alguma da cinza voou para cima da mesa. A rapariga bufa, mas pega num pano seco e estende o braço, cansado, sobre a mesa. Eu levanto o prato com a Bola, o copo e o Compal para libertar espaço e não serem abalroados com a cinza que, antecipo, irá voar.
E voou.
As pessoas não vêm o que está mesmo à frente dos olhos. Estão sempre noutro lado. Na cama com o amante de ocasião. Com o ouvido no telemóvel. Com a cabeça no ar. E aprender Uma mesa com cinza limpa-se com um pano húmido. Repetir Uma mesa com cinza limpa-se com um pano húmido.
Esta é uma esplanada típica da cidade. Fechada. Fechada com acrílico. Nesta esplanada fuma-se. Quando está calor, abrem-se umas janelas. Quando está frio, fecham-se. Toda agente que está na esplanada, fuma. Queira ou não. Como é fechada, não tem chapéus de sol. Quando o sol está baixo, é impossível estar nesta esplanada porque está em chamas. O calor e a luminosidade do sol ocupam tudo e expulsam os clientes. É uma sauna onde não se consegue abrir os olhos.
Despejo o Compal no copo. Agarro num guardanapo de papel e pego na Bola de Berlim. Dou uma trinca e sinto o açúcar a cair para dentro da barba. Detesto quando isto acontece. Com a língua dou uma lambidela ao creme que ameaça cair. Não cais que eu não deixo.
Dois miúdos fazem desta esplanada um parque infantil. Olho pela janela e a vinte metros daqui há um verdadeiro parque infantil. Mas estas criancinhas não têm autorização para ir para o parque. As mães estão ocupadas a conversar e não podem olhar pelos miúdos. E os tempos são perigosos. Estas foram mães criadas na rua. Largadas na rua. Brincaram na rua. Os filhos brincam na esplanada. Na esplanada fechada. São aviões de braços abertos a gritar os motores numa esplanada fechada que amplia os sons que me entram cabeça dentro e estão a tornar-me um possível homicida. As mães não dizem nada. Afinal, as crianças têm direito a tudo. Até a infernizar a vida dos outros.
Desperto para uma voz atrás de mim. Estou! Estou! Estou, porra! Viro-me e vejo um velhote a tentar falar com um telemóvel que não lhe traz resposta. As crianças-avião voam em círculo à volta do velho. Ele ri para os miúdos. Talvez lhe lembrem os netos. Talvez lhe lembrem a ele próprio. Talvez só precise de companhia.
Continuo a comer o resto da Bola de Berlim. Chego a boca para a frente para o açúcar cair no prato e não na barba. Lambo os dedos. Às vezes gosto de ser guloso.
Ao fundo, a televisão de dimensões generosas está num qualquer canal de música. Mas está em silêncio. A esplanada é fechada, há fumo de cigarros e uma televisão debita música em silêncio.
Como amar esta cidade? Como não amar?
Uma das crianças vai em voo rasante, e a rapariga tem de parar de repente com a bandeja cheia de copos de vidro sujos para não ser acidentada, avisar a mãe que quer fazer chichi. A mãe pergunta se o miúdo aguenta. Ele abana a cabeça. A mãe levanta-se e vai com o miúdo ao jardim no exterior do exterior. Saem da esplanada fechada e vão ao jardim ao lado. A mãe põe o miúdo a mijar para uns arbustos. O mijo é orgânico. Mas o café tem casa-de-banho. É do outro lado. Longe da vista.
Acabo de beber o sumo de laranja. Procuro a rapariga. Não a vejo em lado nenhum. Há duas raparigas a escrever em computadores. Um homem folheia o Correio da Manhã. Uma senhora de idade come uma torrada e bebe uma meia-de-leite. Olha para as imagens que passam na televisão de dimensões generosas. Esta esplanada é um microcosmos. Não falta sequer o mendigo que vem deixar um isqueiro e um papel com uma história de vida capaz de fazer chorar as pedras da calçada.
A rapariga aparece à porta da esplanada a ver se é preciso alguma coisa. Faço sinal com as mãos a pedir um café. Espero que perceba.
Acendo um cigarro. Digo ao mendigo que não quero o isqueiro e não tenho moedas. E é verdade que não tenho moedas.
A rapariga aparece com o café. Afinal percebeu.

[escrito directamente no facebook em 2019/08/29]

Um Corpo Flácido e Enfraquecido

Convivo mal com a decadência do meu corpo. Os anos passam por mim, na sua cadência segura, e vão deixando um rasto de velhice que se aproxima perigosamente da morte.
Sinto-me dividir em dois. Os anos passam, a cabeça continua arrogante e lúcida mas o corpo está flácido e enfraquecido. Sou dois homens num corpo só. E o que me entristece é que sinto a decadência do corpo a ganhar vantagem sobre a lucidez da cabeça.
Levanto o braço para agradecer os parabéns e sinto os músculos dos braços a abanar, descaídos, sem forma, sem força.
Urino na casa-de-banho e começa a ser normal pingar os pés, as calças. Às vezes sinto vergonha quando saio da casa-de-banho todo pingado. Por vezes sinto que não deitei fora tudo o que devia deitar e percebo que o perigo se alastra pelo algodão suave das cuecas. Trago uma mancha colorida. Sinto vergonha pelo cheiro que devo arrastar comigo. Sinto vergonha por aquilo que me estou a tornar.
Descobri um quisto sebáceo nas costas. Não lhe conseguia chegar. Foi crescendo. Mas cresceu tanto que foi alargando a pele e a pele tornou-se mais fraca. Rebentou sozinho. Um cheiro fétido saiu-me pelas costas, junto com uma massa pastosa. Só o consegui expurgar debaixo do duche. Não sei quantas horas lá estive. Com a água a lavar o meu nojo. E depois… E depois o buraco nunca mais se fechou. O meu corpo já não se regenera. O que perco, fica perdido. Já não recupero nada do que fui perdendo. Foram-se os dentes. Foi-se o cabelo. Foi-se a vista. Tenho de actualizar constantemente as lentes. As unhas partem-se. A barba está branca. Tenho manchas no corpo. Saem-me pêlos por todos os buracos. Ouço mal. Coxeio.
Hoje o meu corpo já mal reage a estímulos. Fujo ao contacto físico com outros corpos para não me envergonhar. Tenho medo do que possa acontecer. Ou melhor, do que possa não acontecer.
É um cansaço constante. E de físico também passa a intelectual.
A preocupação com a perca das qualidades do corpo começa a tomar conta da minha cabeça. Não consigo não pensar nisso.
Evito ir à praia. Vestir calções. Despir a camisola. Tenho vergonha da barriga que tomba sobre os calções. Das veias que ganham dimensão nas pernas. São as varizes. Já nem o moreno do sol as esconde. Agora tenho de usar um factor pelo corpo. Senão, queima. Faz-me mal. Perigo dos melanomas, diz o médico. Sim, agora passo a vida no médico. Colecciono mazelas. Algumas vêm dos excessos da juventude. Outras, porque sim.
Doem-me as costas. Doem-me sempre as costas na cama, por causa do colchão. Doem-me as costas a caminhar porque tenho o vício da postura. O vício de anos com as costas tombadas sobre os pés. Não posso acartar pesos. Não consigo dobrar-me. Não posso fumar. Não devo beber vinho. Nem cerveja. Muito menos café. Tenho de ter cuidado com o açúcar. Fugir dos fritos. E das gorduras. Carne vermelha só muito raramente. Mas não é difícil que não a posso pagar. Devia comer mais peixe cozido. E enfardo cavala, o mais barato. Mas já estou enjoado.
Chega uma altura em que o corpo começa a dizer à cabeça que já chega. Já chega de aventuras. A cabeça resiste. Mas sente-se a ser perfurada. Aos poucos a cabeça começa a ceder ao corpo. Aos poucos começa a perceber que, se calhar, já não vale a pena continuar a lutar por algo que já não regressa. A juventude do corpo ficou no passado. Hoje é só uma memória. E a cabeça começa a cansar-se de memórias. Começa a sentir que isso é viver por procuração.
Tomo vários comprimidos repartidos ao longo do dia. Há dias em que não os tomo. Há dias em que quero parar a marcha inevitável do tempo. E regressar ao passado.
Mas esta não é uma história de ficção.
Sinto o meu corpo a morrer. E a cabeça com ele.
E é nessa altura que regresso à varanda. Com um copo de vinho numa mão e um cigarro aceso na outra. E digo baixinho, para mim É sempre inevitável.

[escrito directamente no facebook em 2019/05/26]

Os Bichinhos a Passear em Cima do Açúcar

Via-os a correr de um lado para o outro. Eram uns bichinhos, pequeninos, parecidos com os piolhos, que corriam assim, rápidos e nervosos, em cima do açúcar. E via-os sem óculos.
Não tinha grande escolha. Estava com a colher da mão e olhava para eles. Enfiavam-se dentro do açúcar e, por momentos, desapareciam. Depois voltavam à tona. E desatavam a correr de um lado para o outro.
Eu ia lá com a colher, afastava um pouco do açúcar, fazia um pequeno buraquinho, tentava fugir ao bichos, mas em vão.
Suspirava. Enfiava a colher. Apanhava um pouco de açúcar e largava-o na caneca de café.
Não conseguia beber café sem açúcar. E precisava de energia. Sentia-me cansado.
Nestes últimos dias sentia-me um pouco cansado. Um pouco demais. Sentia o regresso da bronquite a acompanhar o regresso dos dias mais frios. Esta instabilidade do clima era-me terrível. Puxava-me a bronquite que trazia a dificuldade em respirar que me provocava cansaço que me deixava deprimido. Uma espiral sem fim.
Mexia a colher na caneca. E via os bichinhos a subirem à tona do café. A girarem na espiral provocada pelo mexer da colher, à volta, devagar, mas constante, sem parar, a girar, à volta, e os bichinhos a acompanharem esse circuito giratório. Alguns morriam. Se calhar afogados. Esses eu apanhava-os com a colher e largava-os no guardanapo de papel. Mas havia alguns que conseguiam sobreviver e nadavam no café. Alguns deles conseguiam mesmo chegar à parede da caneca e subiam até sair de lá para fora. Mas nessa altura eu já não queria saber, levava a caneca à boca e bebia o café, pensando que, qualquer bicho que eu pudesse ingerir era uma potencial proteína. E pronto.
Apanhava um bocado de pão duro, molhava-o no café e comia-o. Assim amolecido passava bem pela garganta inflamada e não precisava de forçar os dentes e as gengivas. Nas últimas semanas andava a deitar sangue das gengivas. Devia ter escorbuto. Não comia laranjas há tanto tempo!
Estava há seis meses à espera de uma consulta no médico de clínica geral. Estava à espera que surgisse uma vaga para mim. Mas o que é que o médico ia dizer? Que isto era falta de vitamina C? Eu sabia. Eu sabia disso. Mas, e depois?
Limpava as migalhas da toalha e juntava-as num pires e ia pôr o pires à janela. O gato ia lá comer as migalhas. Partilhávamos o pouco que tínhamos.
Finalmente tive consulta.
Depois da consulta, o médico achou que o melhor era ficar internado. Acho que descobriu qualquer coisa num pulmão. Ou nos dois, já não sei. Disse que teria de ficar uns dias para observação.
Eu sabia no que é que esse internamento ia dar. Depois de umas análises, alta para casa porque não há dinheiro para ficar internado. E com a minha idade…
Estou a aproveitar, enquanto aqui estou, para me alimentar um pouco melhor.
Descobri o açucareiro. Já encontrei os bichinhos. Andam lá de um lado para o outro. É um problema geral, parece-me.

[escrito directamente no facebook em 2018/08/30]