Sábado de Carnaval

É Sábado à noite. Sábado de Carnaval. As pessoas divertem-se. Mascaram-se, embebedam-se, drogam-se, dançam, dançam muito. Riem. Brincam umas com as outras. Estamos em Portugal e estamos bem. Isto é uma espécie de cantinho do céu. Às vezes.
Na TSF está a dar uma gravação do Estado de Sítio. De novo, e sempre, a Síria. Continuam os bombardeamentos. Há quase um milhão de pessoas em êxodo em direcção à Turquia que tem as fronteiras fechadas. Continua a morrer gente. Todos os dias. Todos os dias nascem mais crianças. Há gente que se torna pai e mãe debaixo de bombardeamentos. Há crianças que nunca experimentaram uma vida sem bombardeamentos. Estas pessoas ainda desencantam comida. Mantêm hospitais em caves. Ainda riem. Ouço o testemunho de alguém que está lá, na Síria, que vive numa dessas cidades sitiadas e bombardeadas. E enquanto ele fala, ouve-se a queda de duas bombas muito próximo. Ele pára, mas logo recomeça o testemunho. Há quase dez anos que a Síria está assim, em guerra. Com os russo a bombardear. E os americanos… O que é feito dos americanos?
É Sábado de Carnaval. É Sábado de Carnaval e as pessoas divertem-se.
Vejo, no feed do Facebook, nem sei como nem porquê, numa página da Cruz Vermelha, uma criança contente, aos saltos, a dançar e a cantar, a experimentar a sua nova prótese que lhe permite andar sem muletas e ser autónomo.
É Sábado de Carnaval. E o direito à vida é inviolável.

[escrito directamente no facebook em 2020/02/23]

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