Quero Adormecer

Passa das seis e trinta da manhã. Estou acordado há mais de uma hora. Não consigo dormir. Cansei de me virar de um lado para o outro na cama, abrir os olhos e só ver escuridão. Levantei-me e abri um bocado das persianas para deixar entrar um pouco do luar e sentir vida na rua e aqui no quarto.
Está calor. Transpiro. Estou molhado. Empurro o pequeno cobertor e fico só com o edredão em cima de mim. Porque é que não durmo?
Os gatos também andam acordados. Já os ouvi lá por fora. Devem andar aos ratos. De manhã devo ter um presente em frente à porta da rua.
Ontem à noite choveu bastante. Agora não se ouve nada. Nem os galos da aldeia. Espero ter fechado os vidros do carro. Não me lembro se os deixei fechados ou não.
Começo a pensar se os sons leves e suaves de deslocação que ouvi da rua aqui à volta da casa são mesmo dos gatos. E se não forem? São de quê? De quem?
Começo a sentir algum medo. O corpo treme. A boca fica seca. Não consigo engolir a minha própria saliva. Puxo o edredão mais para cima. Para cima de mim. Sobre a cabeça. Tento aguentar o calor que sinto dentro do edredão. E que a minha respiração, presa lá dentro, ajuda a aumentar ainda mais. Não consigo respirar pelo nariz. Quero adormecer e esquecer estes últimos pensamentos. Quero adormecer e escapar ao que lá vem. Quero adormecer.

[escrito directamente no facebook em 2019/02/18]

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