Ela Deu-me um Estalo e Eu Respondi

E foi aqui que tudo se descontrolou.
Ela deu-me um estalo. E eu respondi. Não queria tê-lo dado. Mas dei. Foi um reflexo. Levei um estalo. E respondi.
E agora era tarde. Tarde demais para voltar atrás. Não podia não dar o estalo. Mas ele estava dado.
E então?
Então ela começou a gritar, a gritar que eu lhe tinha batido Socorro! Socorro, ele bateu-me! Este cabrão de merda bateu-me! e eu bati-lhe outra vez para ela se calar. Mas não se calava. E eu continuei a bater. E ela a gritar. E quanto mais ela gritava, mais eu lhe batia. E quanto mais eu lhe batia, mais ela gritava.
No fim ela já não gritava. Eu já não lhe batia.
No fim, foi o fim.
O fim dela.
O meu fim.
Deixei-a lá em casa. Telefonei à polícia e fui embora.
Fugi.
Desapareci.
Deixei de ser.

Quando morri, anos mais tarde, fui à procura dela.
Nunca a encontrei.
Mas tenho a eternidade toda para a procurar.
Preciso de a encontrar.
Preciso de lhe pedir desculpas.
Preciso de descansar.

[escrito directamente no facebook em 2018/06/29]

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