As Farturas do Penim e as Cidades

Antes de entrar no circuito depressivo do meu texto de hoje (é Sexta-feira!), venho expressar a minha mais sincera alegria pela chegada à cidade da rulote das farturas Penim, que vem alegrar as sempre tristes Festas da Cidade através da celebrada Feira de Maio, onde dantes se compravam bolas de serradura em papel colorido com um elástico que o tornava num ió-ió dos pobrezinhos e agora se vendem as mesmas coisas que as lojas dos chineses que já ocupam quase todas as lojas de grandes dimensões no centro histórico da cidade. Eu sei que ainda foi só a chegada da rulote, que esta ainda não está a funcionar mas, a expectativa de que comece a funcionar um dia destes é demasiado importante para ser deixada de lado.
Posto isto, devo dizer que hoje decidi que não gosto de viver em lado nenhum. Só em casa. Fechado. E sem pessoas.
Não gosto de cidades de grandes dimensões, cheias de muitas actividades culturais, normalmente a pagar, mas que já não tem espaço para mim nas suas artérias, se não for turista, trend ou jovem quadro da EDP.
Não gosto de cidades de média dimensão onde toda a gente corre para as mesmas coisas a achar que vai a coisas únicas a que mais ninguém vai e só quer as mesmas coisas que toda a gente quer a achar que afinal são os únicos a gostar e a compreender e onde as pessoas são todas iguais a achar que são todas diferentes mas que, no fim, sentem-se todos bem assim (ufa, que o parágrafo não acabava!)
Não gosto de cidades de pequenas dimensões, nem de vilas, que são quase a mesma coisa mas acho que diferenciam-se nos impostos cobrados, em que toda a gente sabe quem tu és quando tu és às horas em que és e há sempre gente que espera que sejas de determinada maneira em determinados dias da semana, e que te condenam porque sim e porque não, toda a gente te julga, toda a gente sabe da tua vida, mesmo que não, e toda a gente sabe melhor que tu o que é melhor para ti.
Não gosto de aldeias porque há sempre a porra de um cão a ladrar por onde quer que tu passes, és sempre o desconhecido, o estrangeiro e estão sempre a falar de ti, nas tuas costas mas também, e quase sempre, mesmo à tua frente.
Percebo, cada vez mais, aquelas pessoas que já desistiram de viver onde quer que seja e passaram a ser pessoas da net: mandam vir tudo da Amazon, do Alibaba, da Wook, e da Telepizza.
Eu, agora, também já só saio de casa para, lá está, ir comprar uma fartura ao Penim. Em Maio. Nas Festas da Cidade. E por volta das duas da tarde, porque está muito calor e é mais difícil cruzar-me com pessoas. Pelo menos as conhecidas.
Anseio pelo dia em que o Penim possa fazer as entregas através de drones.

[escrito directamente no facebook em 2018/04/20]

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