Avanço Nu pela Casa

Estou sentado na cama. Como ontem ou como nos outros últimos dias. Mas não bem como nesses outros últimos dias. A janela está aberta e entra luz do dia. Acordei com a luz do dia. Dormi a noite inteira.
Ainda me dói o corpo. Uma parte do corpo. Ainda vejo umas imagens difusas de uma queda, de várias quedas, do meu corpo a não se suster, a cair sobre não-sei-o-quê, de sangrar e de não me conseguir manter quieto, parado. Mas estou calmo. Tranquilo. Não transpiro. Vejo o sol lá fora na rua e imagino que vai estar um dia quente. Um dia de Verão nesta Primavera tão invernal.
Estou sentado em cima da cama. Quase como nos outros dias. Ainda me passam umas imagens pela cabeça que me deixam uma certa tristeza. Umas ausências.
Olho para o lado, na cama, e descubro uma pequena folha de papel Bom-dia! Há café feito. Fresquinho. Beijo!
A casa está em silêncio.
Saio da cama. Coloco os pés nus no chão de madeira e sinto um certo frio agradável que sobe pelo meu corpo.
Olho à volta. O quarto não me é familiar mas não me é desconhecido de todo. Já aqui estive.
Avanço nu pela casa fora. Vou à procura de qualquer coisa. Não sei bem o quê.
Alguém. Uma torrada. O cheiro do café fresco acabado de fazer como dizia o papel ao meu lado na cama.
Vou olhando para a rua através das janelas por que vou passando e vejo as pessoas nas suas vidas diárias. E penso que, a determinada altura, também eu vou ter de me vestir e sair lá para fora.

[escrito directamente no facebook em 2018/04/18]

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