Todas as Dores do Meu Corpo

Ela fez-me sentar à mesa.
Perguntou-me o que tinha tomado. A quantidade do que tinha ingerido. Com água ou álcool?
Depois colocou-me um balde de plástico à frente, enfiou-me uma mão pela boca dentro até às goelas e fez-me vomitar.
Vomitei abundantemente. Dentro e fora do balde de plástico.
E depois disse-me Agora dava-te um bife mal-passado, cheio de sangue, como tu gostas. Mas não posso. Ia fazer-te mal. Também te dava um copo de água, que deves estar cheio de sede, e, obviamente, não ia dar-te vinho, mas também não te posso dar água. Fazia-te mal.
A única coisa que te posso dar sou eu, e estou aqui, ao pé de ti, à espera que melhores, que deites essa merda toda cá para fora, que cures esses hematomas que toda a gente vê, e espero não vir a descobrir nenhum hematoma interno que venha a dar problemas.
E espero por ti, por mim. Porque quero comer um suculento bife em sangue acompanhado por uma salada de rúcula selvagem bem regado por um alentejano tinto bem encorpado.
E quero isto tudo na Lagoa da Ervedeira.
Por isso, vê lá se te despachas a recuperar das merdas que fizeste.
E eu sorri, mesmo com todas as dores que o meu corpo exalava.

[2018/04/06]

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