As Quedas

Acordei.
Acordei com os queixos em cima de um banco tombado no chão.
Não sei quantas horas ali estive. Era de noite quanto tomei os valium. Não senti fazer-me efeito. Era de noite. Estava escuro. As janelas estavam fechadas. Por vezes acendia a luz do iPhone para me orientar. Tomei uma vez e empurrei com água, à falta de melhor. Repeti a dose. Outra vez. Nada.
Aguardei. Esperava sentir qualquer coisa. Não sei o quê. Qualquer coisa. Qualquer coisa de diferente. Uma tontura. Um desmaio. Um tremor. Um suor frio. Medo. Sentir o coração sair peito fora. Nada. Nada aconteceu. Eu continuei o mesmo com 40 valiuns 10 e 9 valiuns 5 no bucho como se afinal fosse um Royal Cheese cheio de batatas fritas e um copo de meio-litro de Coca-Cola.
Acordei. E voltei a cair.

Já era de dia. Lembro-me de entrarem pequenas frinchas de luz pelas janelas mal fechadas. O telemóvel tocava em silêncio. Não tinha os óculos e não percebi quem era. Também não interessava muito.

Estava a desmaiar de novo. Não graças ao valium, mas às quedas que se sucediam, umas às outras.

[2018/04/03]

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