Não às Mulheres Cá em Casa

Ela tomou banho cá em casa, hoje. Mas não era suposto. A verdade é que acabou por me arranjar um grande problema.
Cruzei-me com ela ontem à noite, ao balcão de um bar. Pediu-me um cigarro, e eu ainda tinha. Dei-lho. Estávamos os dois bastante bebidos, mas com vontade de beber mais. Acabámos ambos na rua. Há uma altura em que os bares fecham e os clientes, mesmo os bons clientes, são postos na rua. Ficámos os dois a vomitar para a mesma sarjeta. Quando demos por isso, estávamos os dois a rir, que nem parvos, abraçados um ao outro, a limpar a boca às mangas das camisolas.
Sem sabermos para onde ir, e sem dinheiro para ideias, acabei por lhe perguntar se queria ir até lá a casa. Aceitou. E eu arrependi-me.
Lá em casa não era, de facto, uma casa. Era um quarto. Um quarto alugado em casa de uma senhora que não gostava que levássemos mulheres para lá. Dizia que As mulheres que aceitam ir para o quarto de um homem são umas vadias, para não dizer pior. Por isso não quero cá mulheres em casa. Mas já era tarde, ela já tinha dito que sim, já íamos os dois a caminhar abraçados ao longo da estrada, um aparava o outro, e ela já tinha percebido, que eu já lhe tinha dito, que tinha uma garrafa de jeropiga lá em casa.
Tentámos não fazer muito barulho, para não acordar a dona da casa.
Entrámos no quarto. Despimo-nos e enfiamo-nos na cama. Não tivemos grandes preliminares. Ela agarrou na garrafa de jeropiga, meteu o gargalo à boca e bebeu. Deixou-me um restinho. Depois tratou logo de resolver o assunto do sexo comigo e eu acabei rapidamente por o encerrar. Estava cansado. Queria dormir. E ela tinha-me bebido a jeropiga toda.
No final de nos termos satisfeito perguntei-lhe Queres que chame um táxi?, ao que ela respondeu Não, não tenho dinheiro para o táxi, e além do mais, quero dormir contigo. Acabou de falar, virou-se para o outro lado e adormeceu.
Eu fui até à janela. Abri-a. Acendi um cigarro e fiquei ali à janela a fumar e a olhar para a cidade deserta. O que é que se há-de fazer?, pensei.
Acabei por me deitar na cama, ao lado dela e acabei também por adormecer.
Acordei cedo e chamei-a. Ela foi tomar banho. Tomou um longo banho.
Voltou ao quarto, enrolada na minha toalha. Vestiu-se e eu fui levá-la à porta da rua. Despediu-se com um beijo nos lábios e disse-me Quero voltar a ver-te, virou costas e foi embora.
Eu fechei a porta e voltei para o quarto. No corredor cruzei-me com a dona da casa que me disse Acho que precisamos de falar, ao que respondi, Mais tarde, mais tarde.
Agora estou fechado no quarto a tentar não me cruzar com a dona da casa. Que raio é que lhe hei-de dizer?

[escrito directamente no facebook em 2018/02/11]

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