Uma Família

Saí do trabalho e fui a casa do meu pai. Passei pelo supermercado e levei-lhe umas mercearias. Fiz-lhe a cama de lavado e pus-lhe roupa a lavar. Enquanto esperei pela lavagem de roupa, lavei a louça suja à mão e aspirei a sala e o corredor e o quarto dele. Deixei o quarto arejar um pouco que o ar estava viciado. No fim, retirei a roupa da máquina e coloquei-a no estendal. Ele estava sentado na sala a olhar para o pequeno jardim na rua, frente à porta da varanda, com o som do televisor, baixinho, a fazer companhia. Perguntei-lhe se queria que eu cozinhasse alguma coisa e ele disse que ia encomendar alguma coisa do chinês. Começara a comer comida chinesa há duas semanas e não conseguia parar. Estava a experimentar o menu todo.
Fui-me embora e passei pela casa do meu filho. Estava vazia. Olhei a confusão de roupa suja e restos de comida e bebida espalhados pelo chão e resolvi ir embora. Não sabia por onde começar. Deixei algum dinheiro em cima da mesa da cozinha e sai de casa. Já na rua, pensei melhor e voltei a entrar em casa dele. Fui à cozinha e peguei no dinheiro que lá tinha deixado e fui colocá-lo na mesa-de-cabeceira do quarto dele. Depois passei pela cozinha, pequei no saco do lixo cheio, fechei-o e levei-o comigo para a rua.
Dei uma voltas a pé e passei em casa dela. Também estava vazia. Esqueci-me que ia sair com amigas. É uma rapariga muito dada às amigas. Dei uma volta pela casa e acabei no quarto dela, e vi uma considerável quantidade de roupa lavada em cima da cama por fazer. Percebi que escolher a roupa certa para sair fora uma grande batalha. Sai da casa.
Na rua andei um pouco à deriva sem saber muito bem para onde ir ou o que fazer. E resolvi-me por casa.
Cheguei a casa. O silêncio. O vazio. Fui até à cozinha e sentei-me à mesa. Puxei de um cigarro e acendi-o. E esperei que alguém me fosse procurar. Mas achei pouco provável.
Acabei o cigarro, abri a janela e lancei a beata para a rua. Fui para o quarto, despi-me até ficar nu e deitei-me na cama e cobri-me todo com o edredão. Não tomei banho, nem lavei os dentes. Deitei-me nu e cobri-me com o edredão. Naquela altura, deixei de estar para quem quer que fosse.

[escrito directamente no facebook em 2017/11/04]

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