Quando o Dinheiro Fresco se Torna Frágil

O dinheiro fresco faz muito mal à ignorância. Torna-a arrogante.
Ele, o Dinheiro Fresco, chegou montado no seu automóvel topo de gama, parou nas cargas e descargas, deixou o carro a trabalhar e entrou dentro da loja cheio de pressa. O Dinheiro Fresco anda sempre com pressa.
Exigiu, porque o Dinheiro Fresco não pede, ser atendido com brevidade, que tinha o carro mal parado, estava com muita pressa e tinha muitos, e importantes, afazeres. A loja em polvorosa dedicou-se a alimentar o ego do Dinheiro Fresco que viu, apreciou, discutiu, afirmou e concluiu o que queria e queria, também, uma atençãozinha, porque o Dinheiro Fresco não discute dinheiro, mas afunila as despesas. É assim que se acumula, pensou.
Despachado da loja, sem um adeus ou um obrigado, que o Dinheiro Fresco não compra a boa educação, nem é servil, arrancou no seu carro topo de gama, saltando para a estrada obrigando o trânsito que lá vinha a travar bruscamente para dar passagem a quem manda no mundo.
O Dinheiro Fresco mora fora da cidade, embora tenha casas lá dentro, porque gosta da opulência da dimensão da vivenda, ou chalé como é costume chamar-se por aqui.
Num cruzamento à saída da cidade deu de caras com uma fila de trânsito parado lá à frente pela polícia que impedia a passagem à direita. Ignorando as ordens, até porque pagam os seus impostos que pagam os salários àqueles tipos, o Dinheiro Fresco deu aso à velocidade do seu automóvel, guinando para a direita, e passando pela berma, junto aos polícias, mandando passear a autoridade que gesticulava na sua direcção a impossibilidade de seguir para onde queria seguir.
Como o Dinheiro Fresco na sua arrogante ignorância achava que sabia tudo, não percebeu que estava a meter-se labirinto dentro e, quando o descobriu, quando percebeu que estava rodeado de chamas, que estava no meio de um enorme e terrível incêndio e que já não conseguia sair de lá, de andar para a frente ou para trás, já era tarde. E nesse momento, o Dinheiro Fresco tornou-se um homem como todos os outros, frágil perante a morte.

[escrito directamente no facebook em 2017/10/16]

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