Quando o Calor Acorda o Mulherio

Volta, não volta, regressa o calor e o mulherio invade as esplanadas, costas ao léu, saias curtas e vestidinhos vaporosos, tudo sentindo já a falta de areia da praia a meter-se fato-de-banho dentro e o fantasma de algum peixe-aranha de outrora que nunca mais voltou e ainda bem.
Hoje vi bem isto, descendo de casa para ir ao café-snack-bar-pastelaria-pão-quente, na vizinhança e descobrir uma esplanada repleta de raparigas-mulheres-senhoras, grupos distintos de formas distintas mas todas de volta do mesmo: papo virado ao sol numa tentativa de recuperar as cores do Verão que agora duram menos, para fazê-las durar, pelo menos, até ao Natal, e evitar a conta de um SPA para o qual não há carteira.
Elas eram as senhoras, senhoras já de uma certa idade, grupo que se reúne, valha a verdade, seja de Verão ou de Inverno, na esplanada ou no interior, para bater um papo e falar sabe-se lá do quê que nunca ouvi as conversas das senhoras, mas vejo-as por lá, sempre que lá vou.
Também um grupo de mulheres, provavelmente trabalhadoras do Pingo Doce vizinho, a fazer fé numa ou noutra t-shirt, que devem ter deixado o supermercado ao Deus-dará ou então aos homens, o que justificava o facto de não haver nenhum ali pela esplanada, e que iam fumando cigarro-atrás-de-cigarro mantendo acesas as conversas que puxavam sempre para a família e discotecas e jantaradas.
Um grupo de raparigas, jovens adolescentes aos gritinhos, já atrasadas para as aulas e que acabaram por sair rápido e rapidamente, mas não deixando ficar por lá os gritinhos que as acompanham por todo o lado e lhes garante audiência.
Quem por lá ficou, coitadas, foram as empregadas do café-snack-bar-pastelaria-pão-quente, só mulheres, encarregues de satisfazer as necessidades dos clientes e que, a mim, levaram à esplanada um café normal, em chávena normal, que não sou de esquisitices.
Mas fixei o meu olhar num conjunto de cinco estrelas tatuadas atrás da orelha de uma rapariga. Não gostei especialmente da tatuagem, a lembrar os códigos de quem esteve preso ou pertença de uma gang, nem da rapariga, que não fazia de todo o meu género, mas sem perceber porquê, fascinaram-me. Imaginei um mancebo a sair de um tunning e lamber as estrelas. E fiquei enojado.
Acabei por beber o café de um trago, já frio.
Espero que o calor termine. Preciso de calma na minha vida.

[escrito directamente no facebook em 2017/10/12]

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