O Penico do Harry Dean Stanton

Hoje acordei durante a noite para urinar. Levantei-me sobressaltado e fui o mais rápido que consegui para não urinar no pijama, nem fazê-lo pelo chão. De o fizesse, lá teria eu de andar de cu para o ar a limpar a carpete. Não podia pedir à miúda que o fizesse. Morria de vergonha.
Já na outra noite… Uma noite destas… Estive a ver o Paris, Texas na televisão, acho que por ter morrido o Harry Dean Stanton… Gosto muito dele. Toda a gente gosta muito dele. Como actor. Como pessoa também dizem que era um amor. Mas isto, dizem as pessoas que não viveram efectivamente com ele. Tinha noventa anos. Com certeza que teria problemas. Que se urinava. Que se irritava. Que se esquecia de coisas, de nomes, de datas… Devia ter flatulência, fazer barulho a mastigar com a dentadura que não fixava lá muito bem… Mas era um grande actor.
Nessa noite, e como o filme era grande, acabei por beber um copito de vinho enquanto o via. Durante a noite não acordei e, de manhã, levantei-me todo urinado. Tive de ir a correr por o pijama a lavar antes que a miúda chegasse.
Para o que estamos guardados no fim da vida. Lentos, esquecidos, ceguetas, a fazer mil e um barulhos de todas as proveniências… Que alguém tem de aturar.
Estou a ponderar arranjar um penico para deixar debaixo da cama. Mas… E depois a miúda vai vê-lo e o que é que vai achar de mim?

[escrito directamente no facebook em 2017/09/26]

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