Setembro

Gosto de Setembro.

Setembro já foi um mês de Victor Espadinha. Agora também é meu.

E é o meu mês preferido. Pelo menos hoje. Agora. Não, não é o meu mês preferido. Por mais que o tentasse dizer, não conseguia suportar a mentira ou melhor, esta pequena e curta inverdade. Mas gosto de Setembro. Houve uma altura que não gostava, mas agora gosto. Acontece-me muito disto.

Comecei a gostar de Setembro com os Earth, Wind & Fire e a música September que, embora me embale o Verão (é disco sound, aquele som de que não gosto, mas que não consigo evitar dançar), já promete o Outono, os dias mais frios, mas ainda não cinzentos, e a boa disposição. “Say do you remember // Dancing in September // Never was a cloudy day”. E há muitos anos que danço September. Vem com as festas dos amigos de sempre, por troca com as festas dos conhecidos de ocasião.

É um mês que não é carne nem peixe, é uma salada mista. Ainda me permite ir à praia, mergulhar no mar e beber cervejas na esplanada com os amigos noite fora. Mas já me obriga ao casaquinho para evitar as constipações, talvez uma mantinha sobre as pernas e um copo de vinho tinto a acompanhar a Liga Nacional e dos Campeões.

Setembro já me enterrou os amores de praia na areia e já me franqueia as portas para o amor de lareira, mais quentinho e sossegado.

Já consigo passear à beira-rio sem os magotes de gente que procura o fresco do rio – agora evitam-no por ser demasiado húmido –, e como se está bem aqui, à beira-rio, na polis de Leiria, quase sozinho, na companhia do vento que se levanta e me empurra caminho fora e me leva a pisar as folhas castanhas já caídas, e que os meus pés esmagam com um delicado som crocante, enquanto há ainda umas folhas verdes lá no alto que me protegem do sol e do cacimbo, que este mês tem de tudo.

Regressam as aulas e com elas o desejo de voltar, também eu, a frequentar a escola, voltar a ser adolescente e repetir os erros todos outra vez: Setembro é um mês de nostalgia, de saudade e de desejo melancólico. Um desejo mais quente que o de Agosto, este mais desassossegado.

Mas o melhor de tudo de Setembro, é que já é o princípio do próximo Verão. Não tarde nada já passei incólume o Natal, São Valentim, o Carnaval e a Páscoa. Com um pouco de sorte sobrevivo mesmo às eleições autárquicas e quando der por ela, estou de novo na praia, a viver amores de Verão.

É por tudo isto que gosto mesmo muito de Setembro.

 

[escrito para o jornal de leiria em 2017/09/14]

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