Olha, que se Foda!

Voltei a entrar no elevador, coisa que faço muitas vezes por dia porque moro num andar elevado e já não tenho fôlego para subir as escadas. Mas algo não estava bem. O elevador parecia o mesmo, mas ao mesmo tempo parecia outro. Estava mais limpo, cheiroso, e nenhuma lâmpada fundida.
Sai no meu andar e dirigi-me à porta do meu apartamento. Coloquei a chave. A porta abriu. Entrei em casa. E, mais uma vez, a mesma sensação: o apartamento parecia o mesmo mas, ao mesmo tempo, parecia outro. Estava mais luminoso, mais arrumado e arejado.
Fui até à sala e ela estava lá sentada, de pernas cruzadas, copo de gin na mão a ver um programa vespertino com a Rita Ferro Rodrigues e o João Baião. Um gin? Estranhei. Aproximei-me, baixei-me e beijei-a. E a sensação lá estava de novo: ela parecia mas, ao mesmo tempo, não sabia. Não sabia ao mesmo. Poderia ser do gin.
Sentei-me ao seu lado. Ela levantou-se rapidamente, deu-me a mão e puxou-me para si. Beijou-me no pescoço e disse Anda e sorriu. Eu fui levado pela mão. Ainda pensei E se nada disto é isto? E se ela é outra?
Olha, que se foda. E deixei-me ir, puxado por ela que não me parecia ser ela, num apartamento que não me parecia o meu, num prédio que parecia o meu e ao mesmo tempo não. Só esperava não me transformar num insecto.

[escrito directamente no facebook em 2017/08/13]

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