Um Sorriso Rasgado

E as gajas não se calavam.
Uma dentro do balcão. A outra do lado de fora. Não sei se era um engate. Podia não ser. Mas para mim, que estava ali sozinho, afogado em cerveja, cada vez que precisava de nova imperial tinha de interromper a conversa, porque não me ligavam nenhuma nem queriam saber se o meu copo estava vazio, só podia ser.
Depois de me tirar a quinta imperial e a depositar à minha frente, sempre sem olhar para mim, tive de levantar a mão para lhe pedir Uns amendoins, por favor, que precisava de acamar o estômago.
Entretanto chegou-se ao balcão um tipo todo elegante e bem cheiroso. Largou um porta-chaves da Porsche, como quem não quer saber da coisa e pediu um Scotch, simples. Olhou para mim. Olhei para ele e arrependi-me logo. O tipo abriu-se num sorriso e sentou-se ao meu lado.
Larguei uma nota em cima do balcão e saí do bar. Tive pena de falhar o fim da estória das raparigas. Mas não me estava a apetecer estar com pessoas. Cansam-me.

[escrito directamente no facebook em 2017/07/23]

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