Pequeno-Almoço de Domingo

A memória vai e vem, levando no esquecimento pedaços que não quero recordar e trazendo de volta as alegrias que quero manter. Como uma bolinha de ópio que me transporta para outra dimensão, num eu que não o sendo, ainda e também o sou.
Recordo, com a nostalgia do tempo e do que se perdeu, os Domingos em miúdo, em casa dos meus pais. A minha mãe a entrar pelo quarto dentro a acordar-me, a subir as persianas e a deixar a luz do dia invadir o sono. Eu a despertar calmamente, a pegar numa das invariáveis bandas-desenhada que circundava o chão da cama e a evadir-me para outros locais, com outras gentes, em mil e uma aventuras de cortar a respiração.
Depois, a minha mãe regressava com uma fatia de pão torrado, a escorrer manteiga, e um copo de leite que, gulosamente devorava enquanto ia até Mongo com o Flash Gordon, ou acompanhava as peripécias do Príncipe Valente e da bela Aleta no tempo do Rei Artur.
Mais tarde, sentia o odor do almoço de Domingo a invadir a casa, e percebia que era tempo de levantar da cama, lavar e vestir-me que a tarde era da bola.

[escrito directamente no facebook em 2017/07/16]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s