Os Lobos Descem à Cidade

Sábado. Nove da noite.
A alcateia invade a cidade. Vem dos arredores, dos subúrbios, dos bairros periféricos, das aldeias vizinhas. Lavados, penteados, perfumados, com as roupas aprumadas e sapatilhas vintage. Os carros largados à volta da cidade. É preciso passear a pé pelas ruas. Ver e ser visto. Eles e elas. Entram nos restaurantes, snacks, tascas, cafés, para matar a fome e preparar a noite. Mais tarde vão para os bares, discotecas, boites. Irão aguçar os dentes. E as unhas. Irão despejar garrafas de gin e vodka e algum whisky. E muitas minis. E, cansados, irão terminar a noite em camas várias. Dar aso ao desejo. À paixão. À tesão. E irão acordar com sabores estranhos na boca, e descobrir que a magia morreu na noite e não encontrou caminho para o dia.
Vejo tudo isso da janela de casa onde estou sozinho. Imagino o resto, o que não vejo. Apetece-me fumar um cigarro. Mas tenho medo de incendiar as cortinas que tombam sobre mim.

[escrito directamente no facebook em 2017/07/15]

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