Solidão

Entrou na casa silenciosa e vazia. Dirigiu-se à cozinha, acendeu a lâmpada fluorescente e abriu a porta do congelador. Retirou uma embalagem de lasanha congelada que pôs no micro-ondas. Sentou-se à mesa e esperou.
Foi olhando à volta. Pouca coisa numa casa com pouca vida. Um prato, um garfo, uma faca, uma colher e um copo no escoador do lava-louça. Uma fruteira com uma maçã, já cheia de manchas escuras. Ao olhar a janela da rua, reparou numas cuecas que estavam no estendal. Levantou-se e foi buscá-las. Largou-as nas costas da cadeira. Fechou a persiana. O plim metálico do micro-ondas ecoou pela cozinha. Colocou a lasanha no prato, foi buscar vinho branco ao frigorífico e levou tudo, numa bandeja, para a sala.
Sentou-se no sofá frente à televisão. Ligou-a. Foi comendo. No fim, largou a bandeja na mesa de apoio. Descalçou os sapatos, deitou-se no sofá e tirou o telemóvel do bolso das calças. Mandou uma mensagem e largou-o na mesa. Adormeceu a ver televisão. A meio da noite, abriu o primeiro botão das calças e puxou uma mantinha para cima de si. A televisão continuou ligada, a fazer companhia.
Quando o telefone tocou, era de manhã. Hora de se levantar. Tomar banho e ir trabalhar. Precisava de um café.

[escrito directamente no facebook em 2017/07/10]

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