O Olhar

Olhava-a nos olhos. Bem dentro dos olhos. Na verdade, olhávamos-nos para ver quem era o mais forte.
Eu sei que era ela, a mais forte. Eu sei que iria perder. Sentia-me fraco perante a acutilância gelada do seu olhar. Mas não queria dar parte fraca. Não queria ser já desarmado. Queria guerrear. Armar-me em forte. Levar as coisas um pouco mais longe. Sentir, por uma vez que fosse, que não era um falhado. Mas, gaita, era só uma batalha de olhares…
Pensei em mil e uma coisa para sair dali, debaixo daquele olhar que me destruía.
Eu sou mais forte!, disse ela. Vai à merda!, pensei eu. De repente foi como se tivesse saído do fundo do mar, crescido como um gigante, forte como o homem da feira e, no último instante, baixei o olhar, mas não tanto que não conseguisse ver o olhar de triunfo dela.
Um dia ainda vou ganhar. Um dia…

[escrito directamente no facebook em 2017/07/11]

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